Stress nas petrolíferas: em Alberta trabalhadores das areias não pedem ajuda

FOTO: Mike Hudema |TWITTER
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Um relatório revela que os trabalhadores das areias petrolíferas de Alberta enfrentam um stress significativo e que estão com dificuldades em procurar ajuda. O facto de estarem longe das famílias e a viver em campos de trabalho torna a situação mais desfavorável na pesquisa.

Um novo relatório que analisa a saúde mental e o bem-estar dos empregados nas areias petrolíferas de Alberta sugere que é preciso fazer mais para ajudar os funcionários a lidar com o stress significativo que vem pelo facto de viver em campos de trabalho.

O relatório analisou as entrevistas feitas a 72 trabalhadores de areias petrolíferas no final de 2019 e no início de 2020. A maioria eram trabalhadores que chegavam de outros lugares de Alberta e de todo o Canadá. Durante largas semanas viviam em campos de trabalho enquanto trabalhava em turnos de 10 ou 12 horas em locais de trabalho próximos.

O estudo descobriu que 87% relataram algum ou muito stress por estarem longe dos entes queridos.

Já 77% dos participantes do estudo relataram algum ou muito stress por viver em campos de trabalho, seja por se sentirem presos, com opções de alimentação limitadas ou não saudáveis, sono entre outras razões.

Cerca de dois terços dos participantes relataram stress durante a viagem para o trabalho.

O relatório diz que também, cerca de metade avaliou a saúde mental como muito boa ou excelente (46%) ou avaliou a maioria dos dias como algo ou muito stressante (51%).

Quase metade (46%) dos participantes da pesquisa tinha diagnóstico de problemas de saúde de longo prazo, com metade deles (51%) a descreverem as condições como mentais ou mentais e físicas. De acordo com o relatório, são proporções maiores do que as relatadas na população em geral.

Mais de um terço dos participantes (35%) procuraram ajuda para a sua saúde mental no ano passado, o dobro do relatado na população em geral.

Enquanto mais de três quartos dos participantes do estudo disseram que tinham acesso a serviços de saúde enquanto estavam no trabalho ou no acampamento, mais de metade dizem não usar os serviços.

O relatório diz ainda que mais de dois terços das participantes do sexo feminino relataram sofrer discriminação e assédio no trabalho.