
A mais recente descoberta de restos mortais num terreno de uma antiga escola residencial em Saskatchewan e em British Columbia veio despertar a necessidade urgente em criar mais apoios à saúde mental culturalmente apropriados para lidar com os sobreviventes do antigo sistema de ensino. É um pedido feito por grupos defensores indígenas no país.
Foram mais de mil corpos de crianças indígenas encontrados, até agora, nos terrenos de antigas escolas residenciais nas províncias de British Columbia e Saskatchewan. E isso tem criado um peso na saúde mental dos sobreviventes do antigo sistema de ensino para crianças indígenas.
É dessa forma que grupos defensores dessas comunidades vêm fazer um apelo para que o Governo federal crie mais e melhores apoios para as vítimas que ficaram cá para contar a história.
A par disso, organizações de linha da frente que trabalham com povos indígenas dizem que a necessidade de ajuda pessoal se intensificou no mês passado, desde que um radar de penetração no solo encontrou os restos mortais de 215 crianças numa antiga escola residencial em Kamloops. E, mais recentemente, mais 751 sepulturas não-marcadas na antiga escola residencial de Marieval.
De acordo com um dos grupos defensores, as revelações estão a gerar “memórias problemáticas” para os sobreviventes e um aumento nas visitas a organizações deapoio à saúde mental. Para piorar, as restrições que vieram com a pandemia limitaram o número de locais que oferecem apoio pessoal.
Devido a estas lacunas, os grupos de defesa indígenas vêm requisitar o financiamento de organizações e comunidades lideradas pelas Primeiras Nações, Inuit e Metis para garantir o apoio apropriado a esses indivíduos em sofrimento.
Foi recentemente que oGoverno federal prometeu 27 milhões de dólares para ajudar a localizar sepulturas em todo o país. Os Governos provinciais de Manitoba, Saskatchewan e Alberta também prometeram financiamento para as mesmas buscas.
Segundo os grupos defensores, as tradicionais linhas de apoio nem sempre são eficazes na ajuda a essas comunidades por falta de conhecimento ou até mesmo de poder de relação.
Mais dizem que o trauma dos sobreviventes das escolas residenciais, que foram lugares de campanha de desenraizamento da cultura indígena e de separação familiar, deve ser acompanhado por um tratamento personalizado, descartando os métodos tradicionais de apoio.
