
Os pacientes indígenas têm uma maior taxa de fatalidade no pós-cirurgia do que qualquer outra população canadiana. E o risco de complicações após os procedimentos cirúrgicos também é maior. São os dados revelados num conjunto de estudos publicados no Canadian Medical Association Journal.
Novos dados mostram uma preocupante desigualdade entre os pacientes no Canadá, e que pode piorar com a crise da pandemia. Ao que tudo indica, os pacientes indígenas têm quase um terço de maior probabilidade de morrer após procedimentos cirúrgicos, do que outras populações no país.
Além disso, os pacientes indígenas sofrem taxas mais altas de complicações cirúrgicas, incluindo infeções pós-operatórias e internamentos hospitalares.
São os dados de um conjunto de estudos publicados pelo Canadian Medical Association Journal, que contou com quase dois milhões de participantes. À volta de 10% deles identificavam-se como indígenas.
De acordo com o autor principal da publicação, as descobertas destacam a necessidade das comunidades das Primeiras Nações, Inuit e Metis darem início a uma revisão dos cuidados de saúde com base nos dados estatísticos.
Os resultados também mostraram que pacientes indígenas são menos propensos a realizar cirurgias, sejam elas para a melhoria da qualidade de vida ou procedimentos salva-vidas.
No entanto, os investigadores apontam para a falta de informação disponível, ou de baixa qualidade, nomeadamente nas comunidades Inuit e Metis.
Eles apelam a uma estratégia nacional para medir e abordar as disparidades nos resultados cirúrgicos para os povos indígenas. Para isso funcionar, segundo os especialistas, essa estratégia deve ser liderada por investigadores das próprias comunidades.
O impacto é ainda mais desproporcional com a questão da pandemia no país. Os investigadores alertam para que os povos indígenas tenham prioridade, para que não sejam observadas consequências devastadoras nessas comunidades nas províncias.
