
O fundador do Rancho de Romeiros de Toronto foi hoje homenageado pelo grupo de emigrantes portugueses que está nos Açores para as Romarias Quaresmais. Durante uma visita ao Museu da Emigração Açoriana, António Tabico, que morreu em 2013, foi recordado com saudade.
Em fotografia e em espírito, António Tabico continua a ser uma figura notável. Natural de Ponta Delgada, emigrou para o Canadá na década de 70, levando consigo as tradições açorianas.
Entre as diversas manifestações culturais que fomentou, as Romarias Quaresmais foram as mais visíveis. É por isso que ainda hoje é recordado pelos romeiros emigrantes, que vêm até aos Açores fazer a peregrinação a pé.
Na terça-feira, 28 de fevereiro, Tabico foi homenageado pelo rancho dos Imigrantes do Canadá, das Bermudas e dos Estados Unidos, que estão em São Miguel para os 500 anos das Romarias Quaresmais. O fundador do Rancho de Romeiros de Toronto, que morreu em 2013, foi lembrado num lugar simbólico – o Museu da Emigração, na Ribeira Grande. Além dos 28 romeiros emigrantes que compõem o grupo, estiveram também presentes uma irmã de Tabico e um representante da Câmara Municipal.
O rancho dos Imigrantes do Canadá, das Bermudas e dos Estados Unidos inaugurou a caminhada no passado domingo, dia 26 de fevereiro. Durante oito dias, percorrem todas as freguesias de São Miguel, visitando as igrejas e as ermidas dedicadas a Nossa Senhora, além de outros templos sob outras invocações.
Este ano, as Romarias têm um sabor especial. Além de terem sido retomadas, depois de uma pausa de três anos por causa da pandemia, nesta edição assinalam-se os 500 da tradição.
A origem do ritual está intimamente ligada às catástrofes sísmico-vulcânicas que assolaram a ilha no séc. 16. À época, serviram como uma resposta da população para acalmar a fúria desses desastres naturais.
Os romeiros caminham do nascer ao pôr do sol, no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, desde o primeiro sábado da Quaresma até à Quinta-feira Santa. Regra geral, os ranchos são compostos por homens, embora existam grupos de mulheres em São Miguel e na ilha Terceira.
Também, durante o seu percurso, os romeiros rezam o terço e entoam várias rezas como o hino de Nossa Senhora. Cada romeiro apresenta um traje típico e coberto de elementos, incluindo um xaile pelos ombros, um lenço ao pescoço, um saco às costas, um terço e um bordão na mão.
Mas as Romarias espelham mais do que a fé dos participantes no Catolicismo. Durante os dias em que peregrinam, os romeiros despem-se dos privilégios do quotidiano, beneficiando da solidariedade de quem lhes oferece abrigo e comida. Num hino à simplicidade, as Romarias são também uma oportunidade de reconexão com o essencial e de solidificar a amizade e a camaradagem.
