
A Câmara dos Comuns irrompeu em caos na quarta-feira quando uma deputada federal (MP) Novo Democrata (NDP) e os seus colegas da oposição acusaram o primeiro-ministro Justin Trudeau de lhe dar uma cotovelada no peito durante uma confrontação antes de uma importante votação.
Ruth Ellen Brosseau disse que estava chocada com o encontro e teve que deixar a Câmara, envolta num ambiente tenso, com Trudeau, a certo ponto, num encontro cara-a-cara com o líder do NDP, Tom Mulcair.
O incidente, que ocorreu no meio de uma atmosfera acalorada por um debate sobre a morte assistida por médico, viu os deputados federais num tumulto, gritando e batendo nas suas mesas, numa demonstração de antipatia raramente vista na câmara parlamentar.
Imagens de televisão da Câmara dos Comuns mostram Trudeau caminhar em direção a um punhado de deputados, na sua maioria Novos Democratas, e puxar Gordon Brown, da Oposição, no meio da multidão, a fim de se dar início à votação.
Ao mesmo tempo que Trudeau se vira para puxar Brown, é possível ver Brosseau reagir com desconforto.
“Eu estava de pé, no centro, a falar com alguns colegas”, disse Brosseau à Câmara, logo depois que a calma foi restabelecida. “Eu recebi uma cotovelada no peito do primeiro-ministro e então eu tive que sair.”
O Novo Democrata Peter Julian mal podia conter a sua indignação, dizendo que ele nunca tinha visto tal comportamento nos seus 12 anos na Casa.
Trudeau emitiu um pedido de desculpas, mesmo no meio dos assobios e protestos das bancadas da oposição, dizendo que ele estava apenas a tentar ajudar o responsável da oposição a chegar ao seu assento.
Ele nunca teve a intenção de magoar ninguém, insistiu Trudeau.
Os ânimos têm estado exaltados na Câmara dos Comuns, ao longo de toda a semana, com o governo a introduzir uma moção para limitar o debate sobre a sua controversa legislação sobre a morte assistida, o projeto de lei C-14. Era essa moção que os membros iriam votar antes de ter lugar o incidente.
O presidente Geoff Regan mal podia fazer-se ouvir enquanto tentava ler o texto da moção. Esta foi derrotado por uma margem de 172-137, embora Brosseau não tenha tido possibilidade de registar o seu voto.
A líder do partido “Os Verdes”, Elizabeth May, com um assento na primeira fila da Câmara, pediu calma a certo ponto – e sugeriu que os deputados do NDP poderiam estar a tentar retardar a votação.
“Foi muito imprudente do primeiro-ministro procurar fazer avançar a votação”, disse May.
“Mas o segundo contato com a minha amiga (Brosseau), que é certamente o que foi o mais emocional para o membro envolvido, foi claramente, na minha perspetiva … não intencional.”
Ela acrescentou: “Ele não se apercebeu dela atrás. Essa é a verdade.”
O Presidente concluiu que houve um caso de “prima facie” (baseado na primeira impressão) que os privilégios de Brosseau como deputada federal tinham sido violados.
Fonte: Canadian Press
