
Vila do Conde, Porto, 05 jul (Lusa) — O realizador Miguel Gomes disse hoje que quis, com “As Mil e Uma Noites”, contrapor a boa ficção ao que considera a “má ficção que é a mentira dos políticos que fazem de conta que está tudo bem”.
Numa entrevista à Lusa feita horas antes da antestreia nacional do terceiro e último volume do filme e no dia seguinte às primeiras exibições em Portugal dos dois primeiros tomos no âmbito do 23.º festival internacional Curtas de Vila do Conde, Miguel Gomes afirmou que uma das razões que o levaram a criar este filme foi “querer fazer um filme em que a ficção é muito assumida e é quase delirante”.
“Para contrapor à má ficção que é a mentira dos políticos que fazem de conta de que tudo está bem. E essa é a má ficção porque é a ficção que se finge real, que se tenta passar pela real. A boa ficção só pode ser a ficção que se assume como ficção, não quer mentir”, disse o realizador do filme que inclui histórias como a dos “Homens de Pau Feito”, na qual são retratadas as negociações do Governo com a ‘troika’, com um afrodisíaco pelo meio.



