GTA celebra Canada Day de forma diferente e homenageia vítimas

Foto: John Tory/Facebook
Foto: John Tory/Facebook

Com o assinalar do Dia do Canadá durante o dia de ontem, alguns municípios da GTA usaram o feriado como uma oportunidade de aprender e refletir sobre o legado sombrio do sistema escolar residencial do país. As autoridades das regiões de Toronto, Durham e da Região de Peel alteraram os planos para homenagear as vítimas recentemente descobertas nos terrenos de antigas escolas residenciais.

A autarquia de Toronto e de muitos municípios vizinhos transformaram a forma como o Dia do Canadá é celebrado na GTA. O motivo foi a descoberta de mais de mil sepulturas não-marcadas em antigas escolas residenciais no país.

As autoridades das regiões de Toronto, Durham e Região de Peel vieram confirmar a alteração dos planos de celebração do Canada Day para homenagear as vítimas de escolas residenciais. Isso incluiu iluminar prédios municipais com a cor laranja, fazer um momento de silêncio e hastear as bandeiras a meio mastro.

Na cidade de Toronto, centenas de residentes participaram numa caminhada organizada pelo Toronto Council Fire Native Cultural Centre na manhã de quinta-feira. Os participantes começaram a caminhada no Toronto Council Fire em direção à Yonge-Dundas Square para uma dança em roda. A seguir, os participantes deslocaram-se para a Nathan Phillips Square.

Com eles, levavam peças de roupa cor-de-laranja e seguravam cartazes em homenagem às vítimas infantis. Gritos de “Every child matters” podiam ser ouvidos durante todo o evento.

O letreiro de Toronto foi programado para ser iluminado com a cor laranja em vez das cores habituais do Dia do Canadá, o vermelho e branco, em solidariedade às comunidades indígenas.

Cidadãos de todo o Canadá expressaram descontentamento e tristeza após a descoberta de restos mortais de cerca de 751 crianças indígenas no terreno de uma antiga escola residencial de Saskatchewan, seguido de mais restos de 182 crianças no terreno de uma antiga escola em Cranbrook, em British Columbia

Essas recentes descobertas juntaram-se aos restos mortais de 215 crianças encontradas noutro local de uma antiga escola residencial em Kamloops, também em British Columbia, apenas poucas semanas antes.

O presidente da Câmara Municipal de Toronto, John Tory, disse que os cidadãos de Toronto torcem por um “Canadá melhor, transparente e que se responsabilize pelas ações do passado, para um futuro melhor”.

Já a presidente da Câmara Municipal de Mississauga, Bonnie Crombie, que lamentou as recentes descobertas, disse que a cidade marcou o Dia do Canadá de uma forma “diferente”. Disse também que o dia foi transformado de uma celebração para um “momento de reflexão”. A autarca acrescenta que “há muito trabalho a fazer como país para se alcançar a reconciliação”.

A Torre do Relógio, geralmente iluminada a vermelho e branco, também foi iluminada de laranja.

A cidade de Brampton deu lugar a um evento virtual com a presença de artistas e líderes indígenas, incluindo o Twin Flames e iskwe.

O premier da província de Ontário, Doug Ford, disse que o Dia do Canadá deve ser um momento para os cidadãos de Ontário refletirem e para se “reconhecerem os impactos do terrível legado de escolas residenciais que continuam até hoje”.

No entanto, nem toda a gente estava decidida a celebrar o Dia do Canadá após as descobertas das sepulturas não-marcadas de crianças indígenas. Um mar de cidadãos com peças cor-de-laranja encheram o recinto do Parliament Hill e o centro de Ottawa no feriado do 1º de julho.

O objetivo era dar força ao movimento com o hashtag #CancelCanadaDay, para acabar com os festejos que costumam ser a vermelho e branco. A nação Anishnabe e o grupo de direitos indígenas Idle No More organizaram a marcha #CancelCanadaDay, que seguiu desde o prédio dos Serviços Indígenas do Canadá, em Gatineau, até ao Parliament Hill.

Num comunicado na página web, o Idle No More escreveu duras palavras, ao dizer que não iriam “comemorar o genocídio em curso no Canadá contra os povos indígenas” e que a manifestação era para “homenagear todas as vidas perdidas para o estado canadiano”.

Milhares de pessoas, muitas delas com roupas cor-de- laranja, gritaram “Shame on Canada”, “No pride on genocide” e “Bring them home” enquanto caminhavam para Parliament Hill.