Escolas indígenas: Líderes pedem mais escolas geridas pela comunidade indígena

Foto: Kapapamahchakwew - Wandering Spirit School Parent Council/Facebook
Foto: Kapapamahchakwew - Wandering Spirit School Parent Council/Facebook

À luz das descobertas dos corpos de crianças indígenas encontrados em terrenos de antigas escolas residenciais no país, os líderes da primeira escola cultural indígena de Toronto dizem que escolas lideradas pela comunidade indígena são uma forma de corrigir o legado do sistema escolar residencial no Canadá.

Estabelecimentos de ensino liderados pela comunidade indígena parecem ser a melhor resposta para a comunidade depois das recentes e polémicas descobertas de sepulturas não-marcadas de crianças indígenas em terrenos de antigas escolas residenciais. Quem o diz são os líderes da primeira escola cultural indígena de Toronto. Segundo eles, essa é uma forma de corrigir as injustiças e os legados do sistema de escolas residenciais no Canadá.

Kâpapâmahchakwêw – Wandering Spirit School é uma instituição de ensino liderada pela comunidade indígena. A escola foi fundada em 1977 e tem 180 alunos. Os administradores dizem que o impacto restaurador dessa instituição não pode ser questionado.

Para os líderes da primeira escola cultural indígena, escolas como essa são uma “oportunidade para os jovens recuperarem e adquirirem conhecimentos indígenas num contexto tradicional e contemporâneo, e de maneiras criativas e imaginativas”.

Uma das docentes da educação indígena classificou o antigo sistema escolar residencial de “genocídio” e frisa que nem os considera de estabelecimentos de ensino. No Canadá, existem apenas algumas escolas como a Wandering Spirit School e que mais deveriam ser implementadas.

A falta de história, cultura e ideais indígenas nos currículos escolares é um problema antigo no Canadá, com educadores de todas as áreas a sinalizarem a necessidade de mudança. Eles dizem que o espírito da verdade e da reconciliação significa que todos os alunos devem aprender sobre os povos indígenas desde cedo e devem ser ensinados sobre “o quadro geral” da comunidade, que inclui o racismo sistémico e o legado de práticas como o sistema escolar residencial.

Alguns desses educadores procuraram introduzir formalmente essas ideias nos currículos do ensino básico, secundário ou superior. Além disso, outros oferecem oficinas para os docentes incorporarem o conhecimento indígena em disciplinas específicas, como ciências, tecnologia, engenharia e matemática.

Na primeira escola indígena canadiana, a língua Ojibwe e as culturas, valores e tradições indígenas são ensinados por educadores indígenas, idosos e pessoas com conhecimento de causa.

Durante a maior parte de história da primeira escola liderada por indígenas, o ensino básico era o que funcionava, recebendo alunos do jardim de infância à 8ª classe. Em 2017, também se tornou uma escola de ensino secundário e, apenas no passado mês de junho, a escola realizou a primeira cerimónia de formatura do ensino secundário para cerca de 50 alunos do 12º ano.

Segundo um dos administradores da escola, a ideia de amplamente incorporar os conhecimentos indígenas na sociedade canadiana será crucial para lidar com questões desafiadoras nas próximas décadas.