Economia alimentar: Saber cozinhar ajuda na adaptação ao aumento dos preços

Foto: Pexels-Dapur Melodi
Foto: Pexels-Dapur Melodi

A perda de conhecimentos de como cozinhar prejudicou a nossa capacidade de adaptação ao aumento dos preços dos alimentos, dizem os especialistas em economia alimentar. De acordo com os peritos, as competências culinárias podem ajudar a atenuar o impacto do aumento dos custos.

A subida vertiginosa dos preços tem vindo a afetar fortemente o que os canadianos podem servir ao jantar, mas os economistas alimentares afirmam que a nossa capacidade de resposta tem sido agravada pelo declínio coletivo das nossas capacidades culinárias.

Mesmo para aqueles que têm a sorte de ainda poderem pagar as suas compras semanais, a falta de competências para improvisar na cozinha torna mais difícil contornar os preços mais elevados, por exemplo, trocando ingredientes por alternativas menos dispendiosas.

Durante a pandemia, os canadianos cozinharam mais em casa, preparando eles próprios as refeições quando não podiam jantar fora em restaurantes ou ir buscar a comida aos locais habituais, geralmente perto do trabalho. Contudo, um relatório da Faculdade de Agricultura da Universidade de Dalhousie, de fevereiro de 2021, concluiu que apenas 35% dos canadianos inquiridos aprenderam pelo menos uma receita nova entre o início da pandemia e janeiro de 2021.

Mike von Massow, professor associado do departamento de Economia Alimentar, Agrícola e dos Recursos da Universidade de Guelph, diz que o importante não é apenas a frequência com que cozinhamos. “É a capacidade de alargar a gama de coisas que podemos cozinhar para nos podermos ajustar a alguns destes preços elevados.”

Segundo ele, o declínio das competências culinárias tem várias origens. Uma delas é a alteração dos requisitos do currículo escolar.

Um relatório do Governo federal de 2010, intitulado ‘Improving Cooking and Food Preparation Skills’ (‘Melhorar as competências de cozinha e preparação de alimentos’), afirma que, em toda a população, os alimentos processados e pré-preparados foram normalizados.

Relacionada com esta normalização está a potencial falta de transferência de competências básicas, tradicionais ou ‘de raiz’ de cozinha e preparação de alimentos dos pais para as crianças e adolescentes, que têm sido tradicionalmente o principal modo de aprendizagem, lê-se no relatório.