
Mais atritos diplomáticos entre a China e o Canadá no caso dos Two Michaels. O Governo chinês, descontente com as recentes declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros canadiano, Marc Garneau, fez duras críticas. Justin Trudeau contra-atacou, nesta sexta-feira, ao afirmar que há falta de transparência nos processo de investigação e descreveu a situação como completamente inaceitável.
Hipócrita e arrogante. É assim que o Governo da China se refere ao Canadá depois das recentes declarações de Marc Garneau sobre o caso dos Two Michaels, os dois canadianos detidos na China em 2018.
De acordo com um comunicado, o ministro canadiano dos Negócios Estrangeiros veio chamar as detenções de “arbitrárias”. O comentário vem na mesma altura em que decorre, na China, o julgamento de Michael Spavor e Michael Kovrig. E Garneau disse estar preocupado com a falta de transparência do sistema judicial chinês.
Também o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, denunciou esta sexta-feira a “falta de transparência” nos processos dos dois canadianos acusados de espionagem na China. Uma situação que descreveu como “completamente inaceitável”.
Os comentários não caíram bem com a China. Um porta-voz dos chineses na Embaixada no Canadá disse que o Canadá está a criticar um procedimento que tanto defende no próprio país: o de aplicar a lei.
Michael Spavor e Michael Kovrig foram detidos na China sob acusações de espionagem, em dezembro de 2018. Foi uma aparente retaliação pela detenção da diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, em território canadiano e a pedido dos EUA.
O julgamento de Michael Spavor começou no dia 18 de março, à porta fechada e, até à data, não há veredito. O de Michael Kovrig está agendado para a próxima segunda-feira, dia 22.
A espionagem na China é um crime punível com prisão perpétua e com pena mínima de 10 anos. Os tribunais chineses têm uma taxa de condenação perto de 100% , o que pode resultar na condenação efetiva dos dois canadianos.
