
O Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) começa hoje as audições no caso do bombardeamento de Gaza, após a África do Sul argumentar que as ações de Israel “têm caráter genocida”. Deputados liberais dividem-se quanto ao facto de o Canadá apoiar ou condenar as audições contra Israel.
Os membros liberais do Parlamento estão divididos quanto à posição que o Canadá deve adotar em relação à pressão de África do Sul para que Israel seja julgado por genocídio devido à guerra em Gaza, enquanto o Governo de Trudeau se mantém em silêncio.
A África do Sul argumentou no seu pedido que Israel expressou uma “clara intenção de destruir os palestinianos em Gaza como um grupo” e afirma que as declarações dos oficiais israelitas são prova de uma intenção genocida. O pedido apela a que o principal tribunal das Nações Unidas ordene a Israel que pare os seus ataques.
Israel respondeu “com repugnância” às alegações, afirmando que não têm fundamento.
O Governo canadiano não tomou posição sobre o caso e o gabinete da ministra dos Negócios Estrangeiros, Mélanie Joly, não respondeu de imediato na quarta-feira, 10 de janeiro, quando questionado sobre se o Canadá iria tomar uma posição.
O Canadá tem geralmente evitado levar Israel a tribunais internacionais, argumentando que isso prejudicaria as tentativas de levar os israelitas e os palestinianos a negociar diretamente uma paz duradoura.
Os Estados Unidos da América (EUA) rejeitaram o caso da África do Sul como uma distração “sem mérito”, mas a França disse que apoiará qualquer decisão que o tribunal tome.
A deputada liberal Salma Zahid quer que o seu Governo apoie a candidatura da África do Sul, argumentando que o Canadá deve “dar sentido” aos seus apelos para que todas as partes respeitem o direito internacional.
Os deputados liberais Marco Mendicino e Anthony Housefather argumentaram que o pedido do tribunal é “infundado e inconsciente”, porque Israel está a tentar impedir que os militantes do Hamas repitam o seu terrível ataque de outubro passado.
Até ao fecho desta edição, o Governo do Canadá não se pronunciou acerca da sua posição.
