Lucros abusivos: Eric la Flèche quer que retalhistas assinem código de conduta

FOTO: METRO/X
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O CEO do Metro esteve reunido na Câmara dos Comuns com os deputados federais. Eric La Flèche admitiu que o montante de dinheiro que a empresa ganhou aumentou nos últimos dois anos. Ainda assim, sublinha, as margens de lucro da empresa não subiram. O diretor executivo pede ainda a todos os retalhistas que assinem o chamado ‘grocery code of conduct’.

Todos os retalhistas precisam de assinar o código de conduta das mercearias para que este seja bem-sucedido, disse o presidente e CEO do Metro, Eric La Flèche aos deputados, numa reunião da comissão de agricultura da Câmara dos Comuns que aconteceu na segunda-feira, 11 de dezembro.

“A nossa equipa desempenhou um papel de liderança no desenvolvimento do código. E estamos convencidos de que a participação de todas as mercearias e fornecedores é essencial para o seu sucesso”, disse La Flèche.

Recentemente, os executivos da Walmart Canada e da Loblaw disseram ao comité que não podem assinar o código na sua forma atual porque receiam que aumente os preços para os consumidores.

Um novo estudo do Centre for Future Work sugere que os lucros do setor canadiano das mercearias podem vir a ultrapassar os 6 mil milhões de dólares este ano, estabelecendo um novo recorde.

O relatório concluiu que os retalhistas de produtos alimentares estão agora a obter mais do dobro dos lucros que obtinham antes da pandemia.

Citando dados da Statistics Canada, o relatório afirma que a margem de lucro líquido no retalho de alimentos e bebidas tem excedido consistentemente 3% das receitas totais desde meados de 2021, mais do dobro da margem média entre 2015 e 2019.

La Flèche disse aos deputados que a inflação alimentar tem sido impulsionada pelas forças do mercado global e, embora os preços estejam a estabilizar, afirmou que isso não pode ser conseguido de um dia para o outro, nem pode ser da responsabilidade das mercearias.

“O Metro encontra-se no final de uma cadeia de abastecimento muito longa, que continua a registar instabilidade. E já estamos a enfrentar pressões para aumentar os custos no novo ano”, afirmou.

A empresa não vai aceitar qualquer aumento de custos dos fornecedores, disse La Flèche. Trata-se de uma prática de longa data, acrescentou. Além disso, o CEO do Metro disse também que, embora o montante de dinheiro que a empresa ganha tenha aumentado nos últimos dois anos, as margens de lucro da empresa não aumentaram.