
Portugal vive uma crise política, a par da crise económica e financeira, motivada pelo pedido de demissão do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, um dia depois da anunciada substituição do ministro das Finanças.
O primeiro ministro Passos Coelho diz-se surpreendido pelo pedido de demissão de Paulo Portas e que vai procurar junto do CDS, parceiro na coligação, encontrar todas as condições para prosseguir o trabalho e não desiludir os portugueses depois de tantas dificuldades por que têm passado.
Por isso, o pedido de demissão não foi ainda aceite e o Presidente da República não exonerou Paulo Portas, apesar deste ter afirmado que a sua demissão é irrevogável.
As movimentações políticas são enormes. A oposição pede a demissão do Governo e marcação de eleições antecipadas. Sem o CDS, o Governo perde maioria parlamentar, mas até à data não se sabe se os centristas abandonarão o Governo ou se mantêm os ministros Pedro Mota Soares e Assunção Cristas. Até ver, ninguém do CDS se pronunciou, sabendo-se apenas que quarta feira está marcada uma reunião extraordinária da Comissão Política Nacional. Nessa reunião estarão em discussão tanto o futuro de Paulo portas como do próprio partido que também tem marcado para o próximo fim de semana um congresso, precisamente, para eleger ou reeleger o presidente.
Esta crise já mereceu comentários da própria chanceler alemã que no mesmo dia em que tecia elogios ao percurso português para sair das dificuldades também se viu surpreendida com os acontecimentos de última hora.
Tudo começou com o pedido de demissão do ministro das Finanças Vitor Gaspar, na segunda feira. Segundo fontes próximas do CDS, Paulo Portas viu com essa atiutude a possibilidade de se abrir um novo ciclo político e económico. Mas a decisão do Primeiro Ministro em escolher para a pasta das finanças Maria Luis Albuquerque, uma seguidora da política anterior, veio despoletar toda esta confusão política.
O PS, através do seu secretário geral, já veio criticar a intenção de Passos Coelho em não se demitir e reservou para amanhã a apresentação de soluções. Partido Comunista e Bloco de Esquerda exigem eleições antecipadas. Quarta feira o Primeiro Ministro parte para a Alemanha alegando que vai tentar manter a clareza e a confiança internacional, entretanto conquistados. Para Passos Coelho os partidos têm a obrigação de não desiludir o País. Mas até ver, a instabilidade política está instaurada, a par da crise económica e financeira. Cada vez mais se fazem analogias com a realidade grega e nas próximas horas vamos esperar a reação dos mercados face a Portugal.
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