Aumentam as reclamações de assédio e violência no trabalho no Canadá

Foto: Engin Akyurt/Unsplash
Foto: Engin Akyurt/Unsplash

A reclamações de assédio e violência no trabalho no Canadá aumentaram significativamente em departamentos e agências federais nos últimos anos. São os resultados de dados internos do Governo canadiano.

Assédio, violência, misoginia e homofobia são algumas das queixas de trabalhadores canadianos de departamentos e agências federais, que têm vindo a aumentar fortemente nos últimos anos.

Estes dados foram recentemente apresentados pelo Governo federal, que se mostra preocupado com o aumento do número de reclamações de comportamentos nocivos no local de trabalho.

De acordo com os resultados, a Canada Revenue Agency (CRA) viu a sua taxa de reclamações aumentar de 80% para 166% entre os anos de 2016 e 2019. Já a Royal Canadian Mounted Police (RCMP) recebeu mais de mil reclamações em cinco anos e teve um aumento de 50% entre 2015 e 2017, até estabilizar.

No caso do Canada Post, verificou-se um crescente aumento anual de reclamações por assédio no trabalho desde 2011. Em 2019, já contabilizava 870 denúncias.

Ao que tudo indica, estes valores não refletem propriamente um aumento da discriminação, mas antes um crescimento das denúncias e da consciencialização pública. De acordo com especialistas no setor, o assédio no local de trabalho está associado, em parte, ao aumento da carga de trabalho.

Estes definem assédio, além do verbal e físico, por uma carga de trabalho mais pesada, que dificulte a realização das tarefas habituais em prol de outras que causem conflito

Os dados sobre as queixas de comportamentos tóxicos no trabalho surgem na sequência da polémica no Rideau Hall. Funcionários acusaram a ex-Governadora-geral do Canadá, Julie Payette, de assédio moral e agressões verbais.

De notar que entraram em vigor, no dia 1 de janeiro, novos regulamentos de prevenção de assédio e violência no local de trabalho, no âmbito do Código do Trabalho do Canadá.