
Há dias ouviu-se a frase mais incrível dos últimos tempos: há uma vacina contra a Covid-19. Seria mel para os nossos ouvidos, não fosse o ministério russo a anunciar a dose. Desde que a pandemia se instalou, centenas de laboratórios em todo o mundo puseram mãos à obra na busca da cura do novo coronavírus. As primeiras notícias davam conta de bons resultados na imunização entre os testados, mas a palavra “cura” ainda estava longe de surgir.
A Rússia (país estranhamente silencioso no que diz respeito à Covid-19) assume-se agora como pioneira e dá os primeiros passos em terreno nada firme num debate que divide fações em todo o mundo.
E como seria de esperar não tardaram as dúvidas em torno da descoberta: a vacina já foi registada, mas continua em fase de testes (disse Putin que tinha passado em todos os testes “necessários”, apesar de não ter percorrido todas as etapas cientificamente aconselhadas); a filha do presidente russo já tomou a vacina e apenas teve uma pequena oscilação na temperatura como efeito colateral (que interpretação podemos fazer disto?); porque é que 20 países já reservaram a dose (Ministério russo falou em potenciais clientes na América Latina, no Médio Oriente e na Ásia).
De pé atrás está a Organização Mundial de Saúde, com reservas quanto à “ultrapassagem” na fase de testes. O nome da“promissora” vacina é Sputnik V, em homenagem ao lançamento bem-sucedido do satélite soviético em 1957 que deu início a uma corrida pela superioridade técnica no espaço.
E será que nesta “corrida ao espaço”, os EUA vão perder e encomendar a vacina russa? E qual será a posição do Canadá ou mesmo de Portugal? Perguntas ainda sem resposta, mas uma coisa é certa, enquanto lê este editorial, a Rússia prepara-se para começar a produção em massa de milhões de doses da Sputnik V para colocar em circulação já no início do próximo ano.
E você, se pudesse, tomava a vacina russa “milagrosa”?
