OPOSIÇÃO PEDE INVESTIGAÇÃO CRIMINAL À ORGANIZAÇÃO WE CHARITY

Foto: Angus Reid Institute
Foto: Angus Reid Institute

O governo federal canadiano está a ser palco de mais um escândalo. Desta vez, a polémica envolve familiares do primeiro-ministro. Ainda assim, um inquérito revela que muitos canadianos continuam a apoiar Justin Trudeau.

A semana arrancou com a organização We Charity a divulgar diversos anúncios e um comunicado oficial dos seus co-fundadores que explicaram a participação da instituição no programa de voluntariado para jovens. A We Charity foi escolhida pelo governo federal para administrar um fundo de 900 milhões de dólares destinado a programas que pagam bolsas a estudantes de sete mil escolas que desempenham trabalhos voluntários em três mil instituições de caridade.

O fundo foi anunciado em junho para ajudar os estudantes que estavam com dificuldades em encontrar trabalho durante o verão por causa da pandemia. O governo alega que os próprios servidores públicos indicaram a instituição para gerir o programa.

Os co-fundadores da We Charity, Craig e Marc Kielburger explicaram que a instituição não teria lucros com o contrato e que já fizeram o mesmo trabalho anteriormente para governos de diversos partidos políticos.

A polémica surgiu porque familiares do primeiro-ministro foram pagos como palestrantes em eventos passados pela organização. Nos últimos quatro anos, Margaret Trudeau, mãe do primeiro-ministro, recebeu 312 mil dólares pela participação em 28 eventos. Entre 2017 e 2018, o irmão de Justin Trudeau, Alexandre, falou em oito eventos e recebeu 40 mil dólares e a primeira dama canadiana Sophie, recebeu 1400 dólares ao participar num evento em 2012.

A We Charity afirma que o pagamento aos familiares de Trudeau foi feito por patrocinadores, que nenhum recurso público foi utilizado, mas que mesmo assim, esta prática já foi reconhecida como um erro pela própria instituição e a organização foi reembolsada.

Com a repercussão do caso, a We Charity desistiu de gerir o fundo governamental, mas a oposição quer mais explicações, não apenas de Trudeau, mas também do ministro das Finanças, Bill Morneau, que tem duas filhas também envolvidas em eventos da We Charity.

Trudeau afirmou que não tinha conhecimento do envolvimento dos familiares na instituição, reconheceu que deveria saber e lamentou que sua família tenha sido envolvida na polémica. O governo prometeu colaborar com o esclarecimento do caso e transferiu a gestão do fundo para o Departamento Federal de Emprego e Desenvolvimento Social.

Enquanto isso, e apesar do novo escândalo, Justin Trudeau continua a contar com a aprovação de metade dos canadianos, como revelou um inquérito do Angus Reid Institute.

Desde que o envolvimento dos familiares do primeiro-ministro no caso foi divulgado, houve uma ligeira queda na aprovação do governo liberal. Em maio, 55% dos eleitores canadianos aprovavam o desempenho de Trudeau e em junho, após o escândalo We Charity, essa percentagem caiu para 50%. Ainda assim, esse valor situa-se acima dos 33% que foram registados antes da pandemia da covid-19.

A forte aprovação, revelou o inquérito, é originada, principalmente, pelas atuais prioridades dos canadianos, que estão preocupados com o combate à pandemia e a recuperação económica do país .