
Porto, 05 dez (Lusa) — O futuro do Centro Histórico do Porto precisa de ser pensado para lá das intervenções que destroem o que está por trás das fachadas dos edifícios, disseram vários investigadores nos 20 anos da classificação como Património Mundial.
Em declarações à Lusa a propósito das duas décadas da classificação pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês), o professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP) Francisco Barata Fernandes sublinhou que o que tem valor e identifica o Centro Histórico da cidade “não era só a epiderme, a fachada, (…) mas o entrar em cada uma das casas e perceber a sua organização interna”, algo que acredita não estar a acontecer em obras recentes feitas na zona.
Por seu lado, o professor jubilado catedrático da FAUP Alexandre Alves Costa, que frisou falar apenas enquanto cidadão, admitiu não ter uma “visão otimista” sobre o tempo que passou desde a classificação, uma vez que acreditava que “a classificação iria introduzir alguma disciplina e até algum estímulo para que a recuperação fosse feita com critérios que mantivessem o valor patrimonial dos edifícios e não parece ser isso que está a acontecer”.
