

A Visa está a acusar o Walmart de usar os consumidores como peões na sua batalha sobre as taxas de serviço aos comerciantes ao ameaçar proibir o cartão de crédito popular nas suas lojas canadianas.
“O Walmart está injustamente a arrastar milhões de consumidores canadianos para o meio de um desacordo comercial que pode e deve ser resolvido entre as nossas empresas”, escreveu a Visa numa carta aberta publicada na manhã de ontem em vários jornais diários canadianos.
Depois de meses de negociações, o Walmart anunciou na semana passada que “as elevadas taxas” levaram o grupo a parar de aceitar cartões Visa a partir de 18 de julho nas lojas em Thunder Bay, Ontário.
O retalhista, em seguida, pretende rejeitar os cartões nos seus mais de 400 espaços canadianos.
O Walmart disse que paga mais de 100 milhões de dólares em taxas anualmente por clientes que usam cartões de crédito como Visa, MasterCard e Discover.
A Visa defendeu-se, dizendo que ofereceu ao Walmart uma das taxas mais baixas de qualquer comerciante no Canadá. Mas o maior retalhista do mundo queria mais – custos que seriam mais baixos do que em mercearias, farmácias, lojas de conveniência, instituições de caridade e escolas locais.
“E eles estão a usar o seu tamanho e escala para ter uma vantagem injusta”, refere a carta sem assinatura.
A segurança também é um problema
Enquanto que a disputa é pelo menos em parte sobre o dinheiro, os dois lados também estão envolvidos numa luta sobre a segurança. O Walmart está a processar a Visa nos EUA para forçá-la a exigir a tecnologia de chip-and-PIN nos seus cartões, que é mais seguro do que a banda magnética e assinatura padrão.
O Walmart quer que os clientes utilizem a tecnologia de chip e PIN criptografada, mas a Visa quer dar aos clientes a opção.
A Visa também cobra uma taxa mais elevada – cerca de cinco cêntimos a mais por transação – para processar uma venda feita através de assinatura, contra um feito via PIN.
A observar com interesse
Os retalhistas em todo o Canadá estão a assistir ao confronto com todo o interesse, mas a maioria não estavam dispostos a comentar ou indicar se eles também estão a pensar tomar as suas próprias iniciativas contra o fornecedor do cartão de crédito dominante.
A cadeia de lojas de conveniência Alimentation Couche-Tard foi a exceção. Esta disse que compreendia a decisão do Walmart depois de fazer lobby por anos para reduzir as taxas de cartão de crédito no Canadá, que estão entre as mais altas do mundo.
O Retail Council of Canada sublinha que as elevadas taxas de cartão de crédito são inaceitáveis para os retalhistas.
O conselho de retalho, que representa os retalhistas incluindo Walmart, está a pedir ao governo federal para intervir de modo a impor taxas mais baixas para todos os comerciantes. A Visa e a MasterCard concordaram voluntariamente, no final de 2014, em reduzir as taxas de intercâmbio em cerca de 10 por cento sob a ameaça de ação do governo Conservador anterior.
A medida permitiria poupar até 400 milhões de dólares por ano.
Na quarta-feira, na Câmara dos Comuns, o ministro das Finanças Bill Morneau afirmou que o governo está à espera de um relatório sobre o acordo voluntário da Visa e MasterCard antes de decidir “como podemos garantir que este mercado permanece competitivo no futuro”.
Fonte: Canadian Press
