
Muxúnguè, Moçambique, 12 mar (Lusa) – Nem a passagem de blindados ou sequer uma região reconvertida em zona de guerra, no centro de Moçambique, impedem dezenas de rapazes de agitar garrafas plásticas de litro e meio com sura, uma bebida tradicional alcoólica de palmeiras silvestres.
“Sura, vinte meticais [35 cêntimos de euro]”, repete, gritando, Fonseca Djoco, 11 anos, enquanto percorre em passo de corrida as janelas de carros em marcha lenta na zona do rio Ripembe, na N1, no troço Save-Muxúnguè, província de Sofala, a zona mais atingida pelo conflito militar que voltou a flagelar o centro do país e sujeita a escoltas militares obrigatórias para viaturas civis.
“Vende-se sura”, anuncia uma chapa à chegada ao rio Ripembe, cuja estrutura metálica da ponte só permite a passagem de uma viatura de cada vez, e que se segue a um pedaço de estrada esburacada, tornando vagarosa a marcha, uma circunstância má para quem viaja e excelente para os miúdos despacharem a sura.
