
Berlim, 14 abr 2026 (Lusa) — O chanceler alemão e o Presidente ucraniano lançaram hoje uma parceria de cooperação militar, em particular no domínio da produção de drones, na sequência da visita do líder ucraniano a Berlim.
“Isso também é benéfico para nós, para a nossa segurança, pois nenhum exército na Europa foi (…) tão posto à prova em combate como o da Ucrânia. Nenhuma sociedade se tornou mais resiliente do que a Ucrânia, nenhuma indústria de defesa se tornou mais inovadora do que a da Ucrânia”, salientou Friedrich Merz em declarações à comunicação social, ao lado de Volodymyr Zelensky.
Berlim vai financiar também a entrega a Kiev de várias centenas de mísseis Patriot e de lançadores destinados aos sistemas de defesa aérea IRIS-T.
“Um pacote de quatro mil milhões de euros (…) um enorme impulso para a defesa aérea ucraniana”, congratulou-se, por sua vez, o ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov, na rede social X.
Zelensky anunciou que os dois países estão também a trabalhar num “acordo bilateral sobre drones”.
“A nossa experiência pode ser integrada no sistema de segurança europeu”, afirmou o líder ucraniano.
O exército ucraniano possui uma experiência operacional e tecnológica sem paralelo no domínio dos drones, que se tornaram armas essenciais devido ao seu custo relativamente baixo, à sua eficácia e ao seu alcance.
Berlim pretende tirar partido da experiência ucraniana, tendo Merz desbloqueado centenas de milhares de milhões de euros para reconstruir o exército alemão, a fim de poder fazer face a uma eventual agressão russa, mas também à retirada norte-americana do espaço europeu e da respetiva defesa.
A empresa alemã Quantum Systems, especializada nestes veículos aéreos não tripulados, anunciou hoje a criação de duas “novas ‘joint ventures’ com fabricantes ucranianos”.
A QWI, “que reforçará a defesa aérea”, com a ucraniana WIY Drones, e a QTI, “que se concentrará na produção de sistemas terrestres não tripulados”, com a ucraniana Tencore.
A guerra no Médio Oriente foi uma oportunidade para Kiev demonstrar a sua experiência, com Zelensky a enviar especialistas em combate a drones a países alvo de ataques do Irão, aliado da Rússia.
Após ser recebido por Merz, o líder ucraniano viajou até à Noruega, onde assinou um acordo com o primeiro-ministro, Jonas Gahr Store, para estreitar a cooperação militar com Oslo, que inclui a fabricação de drones ucranianos neste país nórdico.
“Queremos estudar como a tecnologia e a indústria de drones ucranianos podem reforçar a capacidade de defesa da Noruega a longo prazo, por isso é importante estabelecer a produção de drones ucranianos na Noruega”, afirmou Store numa conferência de imprensa em Oslo, após se reunir com Zelensky.
O acordo inclui também um aumento da produção de equipamento de defesa aérea e de munições, explicou o líder norueguês.
Store salientou que a Ucrânia continua a ser uma prioridade da política externa da Noruega, que se comprometeu a destinar 275 mil milhões de coroas (cerca de 24,74 mil milhões de euros ao câmbio atual) em ajuda a Kiev até 2030.
Zelensky agradeceu a ajuda norueguesa, embora tenha admitido a sua preocupação com o atraso na entrega a Kiev de mísseis de defesa aérea norte-americanos, devido à sua utilização na guerra contra o Irão.
O contexto na Europa é também mais favorável à Ucrânia desde a derrota eleitoral, no domingo, do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, próximo de Moscovo, que bloqueia desde o final de 2025 um empréstimo europeu de 90 mil milhões de euros da União Europeia ao país em guerra, bem como um novo pacote de sanções contra a Rússia.
Ainda em Berlim, Merz apelou a que estes recursos fossem “rapidamente desbloqueados”, uma vez que o futuro líder húngaro, Péter Magyar, deverá assumir funções nas próximas semanas.
“Contamos com a Alemanha”, afirmou Zelensky a este respeito, salientando que o dinheiro servirá para “reativar a produção e o investimento” no setor do armamento.
Num gesto de boa vontade para com Budapeste, prometeu ainda que o oleoduto Druzhba, que fornece petróleo russo à Hungria através da Ucrânia, “será reparado” em parte até ao final de abril.
Merz salientou ainda que qualquer acordo de paz terá de ter “a assinatura da Europa”.
“É imprescindível”, afirmou, dirigindo-se aos Estados Unidos, numa altura em que Berlim recebe na quarta-feira o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, e o ministro da Defesa britânico, John Healey, no âmbito de uma reunião ministerial do Grupo de Contacto para a Defesa da Ucrânia.
Na quarta-feira, o líder ucraniano será recebido pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.
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