
O fim de semana ficou marcado por um telefonema tenso entre Justin Trudeau e Volodymyr Zelensky. O presidente ucraniano critica a decisão do Canadá de enviar turbinas reparadas para um gasoduto russo, na Alemanha. A decisão polémica também deu origem a uma manifestação realizada ontem em Ottawa.
Uma multidão de manifestantes protestou este domingo, dia 17 de julho, à porta do Parliament Hill, contra a polémica decisão do Canadá de reenviar turbinas para o gasoduto russo Nord Stream, na Alemanha.
De recordar que, no início de julho, o Governo federal decidiu abrir uma exceção às sanções económicas contra a Rússia em resposta à invasão da Ucrânia. Com isso, seis turbinas da Siemens Energy, que foram reparadas em Montreal, foram autorizadas a regressar à Alemanha, para serem utilizadas no gasoduto, que pertence ao Estado russo.
Volodymyr Zelensky conversou ao telefone com Justin Trudeau, poucas horas antes do protesto em Ottawa. O presidente ucraniano disse ao primeiro-ministro do Canadá que o seu país jamais aceitará a decisão de reenviar as turbinas para o gasoduto e acusou Trudeau de violar “o regime de sanções” contra a Rússia.
Zelensky já tinha criticado o que chamou de uma decisão “inaceitável” do Canadá, acusando ainda a Rússia de fazer chantagem com o gás e destacando a existência de outros meios para fazer o combustível chegar à Europa.
Após a conversa com Trudeau, Zelensky disse no Twitter, sem aludir ao tema de forma direta, que a posição internacional sobre as sanções devia “ser baseada nos princípios” e que a pressão sobre a Rússia devia ser intensificada e não diminuída.
Já o Governo federal justifica a sua decisão com a necessidade de não interromper o fornecimento de energia à Europa, em particular à Alemanha.
Trudeau “reafirma o apoio contínuo do Canadá à Ucrânia frente à agressão militar russa”, destacando a importância de se “manter uma unidade forte entre os aliados” e a necessidade de “continuar a impor custos altos à Rússia pela invasão ilegal e injustificável da Ucrânia”.



