
Nova Iorque, 17 abr 2026 (Lusa) – A bolsa nova-iorquina encerrou hoje em alta, atingindo novos máximos históricos, impulsionada pelo anuncio do Irão da retoma da navegação pelo Estreito de Ormuz, e pela possibilidade mais ampla de desescalada no Médio Oriente.
Os resultados definitivos da sessão indicam que o índice mais abrangente S&P 500, referência do mercado norte-americano, atingiu um novo máximo de 7.126,06 pontos (+1,20%).
O tecnológico Nasdaq (+1,52%, para 24.468,48 pontos) também atingiu um máximo histórico pela terceira sessão consecutiva, enquanto o Dow Jones, mais seletivo, subiu 1,79%, para 49.447,43 pontos.
“O ímpeto é autossustentável: assistimos a uma forte subida nas últimas duas semanas e, hoje, o mercado está simplesmente a ignorar os riscos mais pessimistas” relacionados com o conflito, frisou à agência France-Presse (AFP) Angelo Kourkafas, da Edward Jones.
Os preços do petróleo, que têm sido um indicador-chave para os mercados desde o final de fevereiro, caíram hoje.
Isto “representa um desenvolvimento importante para Wall Street, que temia as repercussões do aumento dos custos da energia”, particularmente sobre a inflação e o poder de compra das famílias, observou José Torres, da Interactive Brokers.
O Irão e os Estados Unidos estão “muito perto de chegar a um acordo”, garantiu Donald Trump à AFP, por telefone.
Algumas horas antes, Teerão declarou a reabertura completa do Estreito de Ormuz durante o período do cessar-fogo.
Esta é uma mudança importante para a economia global, pois um quinto do petróleo e gás do mundo passa normalmente por aquele estreito.
Mas a navegação por esta passagem permaneceu praticamente impossível desde os primeiros ataques conjuntos EUA-Israel no Irão, em 28 de fevereiro.
“Agora que o pior parece ter passado em termos geopolíticos, os investidores estão a respirar de alívio”, indicou José Torres.
“A mudança de sentimento (…) é notável”, observou Angelo Kourkafas, referindo-se a “uma das recuperações mais rápidas” da história de Wall Street.
Após uma queda acentuada durante as primeiras semanas do conflito, o mercado bolsista recuperou, apagando gradualmente as suas perdas até atingir estes novos máximos históricos.
Para além do otimismo persistente sobre a natureza temporária da guerra, “a força dos resultados (corporativos) é difícil de ignorar”, explicou Kourkafas.
As empresas petrolíferas recuaram em linha com os preços do crude.
A Chevron perdeu 2,21%, a ExxonMobil caiu 3,65%, a Shell recuou 4,03% e a ConocoPhillips perdeu 4,55%.
As produtoras de fertilizantes — grande parte das quais utiliza hidrocarbonetos no seu fabrico — também sofreram quedas acentuadas. As ações da Intrepid Potash caíram 10,41% e as da CF Industries, 9,65%.
A gigante de streaming Netflix (queda de 9,72%, para 97,31 dólares) teve um mau dia, depois do anúncio da saída do seu icónico fundador, Reed Hastings, e da divulgação de resultados financeiros enganadores.
O lucro líquido do primeiro trimestre foi de 5,28 mil milhões de dólares. Mas, ao subtrair a compensação pela interrupção das negociações de aquisição com a Warner Bros. Discovery, paga pela compradora Paramount Skydance, o resultado fica claramente abaixo das estimativas (2,48 mil milhões de dólares).
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