
Maputo, 12 mai 2026 (Lusa) — Os voos domésticos em Moçambique registaram menos 14% de passageiros em 2025, recuando para 1.066.812, devido aos problemas nas ligações aéreas, segundo relatório da Autoridade de Aviação Civil de Moçambique (IACM) consultado hoje pela Lusa.
De acordo com os dados do IACM, este movimento contrasta com os 1.237.566 passageiros nos voos domésticos registados em 2024, refletindo os constrangimentos operacionais que ao longo de 2025 continuaram a afetar a companhia estatal Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), nomeadamente a indisponibilidade da frota e a redução de frequências em várias rotas.
Em termos de aeronaves, o movimento doméstico também recuou 12%, passando de 38.089 movimentos em 2024 para 33.580 em 2025.
O documento justifica esta redução do movimento de aeronaves com “atrasos, cancelamentos e suspensão de rotas”, reconhecendo ainda que o aumento dos custos de combustível, da manutenção de aeronaves e de outros custos operacionais ao longo de 2025 tornou o transporte aéreo menos viável economicamente.
No transporte regional em África, a partir de Moçambique, o número de passageiros transportados em 2025 recuou 5%, para 546.906, enquanto nos voos intercontinentais se registou um crescimento de 7%, para 231.282 passageiros, impulsionado sobretudo pela retoma gradual da procura internacional.
No final de 2025 estavam registadas em Moçambique 88 aeronaves, de 14 operadores comerciais, para um total de 12 aeroportos, 256 aeródromos públicos e 21 aeródromos privados, de acordo com dados do Instituto de Aviação Civil de Moçambique.
Tal como os anteriores, 2025 voltou a ser marcado pelas dificuldades operacionais da LAM em manter as ligações aéreas domésticas, tendo o Governo avançado em maio com um processo de reestruturação da companhia, que envolveu a chegada de novas aeronaves nos meses seguintes.
A LAM detém o monopólio das ligações aéreas domésticas, mas a companhia aérea privada Solenta já prepara a instalação no aeroporto da Beira da sua base de operações internas, com três aeronaves a iniciarem os voos no segundo semestre, foi anunciado anteriormente.
A companhia prevê disponibilizar inicialmente três aeronaves com capacidade para 50 passageiros cada, estando o início das operações previsto para o segundo semestre de 2026, com base no centro do país. Enquanto isso, decorre para o efeito o processo de implantação da base no Aeroporto Internacional da Beira.
O Instituto de Aviação Civil de Moçambique atribuiu em 17 de dezembro a licença de exploração de transporte aéreo regular em rotas domésticas à companhia aérea privada Solenta.
“A Solenta, efetivamente, concluiu com todas as fases que resultaram no seu licenciamento sem nenhum aspeto que possam não ter cumprido. Eles cumpriram com todos os aspetos que lhes dão o direito de poderem operar no mercado doméstico e no mercado regional”, disse o presidente do conselho de administração do IACM, Emanuel Chaves, durante a entrega da licença à companhia aérea, em Maputo.
Segundo o responsável, a certificação da Solenta, que surge após avaliações para o seu licenciamento pelo Governo em meados de agosto, atrasou pela necessidade de modernizar a legislação aérea nacional, que já não era adequada, para permitir uma “concorrência saudável”.
A Solenta referiu anteriormente que conta com quatro aeronaves Embraer 145 para operações domésticas em Moçambique, uma das quais será utilizada pela indústria petrolífera em voos ‘charter’ [voos privados não regulares, e as demais em rotas de Maputo para Tete, Beira, Quelimane e Nampula.
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