
Bruxelas, 13 abr 2026 (Lusa) — A presidente da Comissão Europeia defendeu hoje que decisões relativas à política externa da UE devem passar a ser aprovadas por maioria qualificada, numa referência aos bloqueios da Hungria de Orbán, afastado no domingo após 16 anos de Governo.
Ursula von der Leyen falava em Bruxelas, após uma reunião do Colégio de Comissários e um dia depois das eleições legislativas húngaras que ficaram marcadas pela derrota do primeiro-ministro ultranacionalista e pró-russo Viktor Orbán e pela vitória do opositor e conservador pró-europeu Péter Magyar.
As decisões sobre política externa nos conselhos da União Europeia (UE) e Europeu são tomadas por unanimidade, o que permitiu a Orbán bloquear nomeadamente o empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia e o 20.º pacote de sanções à Rússia.
Em declarações à imprensa, Ursula von der Leyen destacou o novo rumo da Hungria, que “está a regressar ao caminho europeu”, mas admitiu que ainda há “muito trabalho a fazer”.
“Creio que também devemos olhar para as lições aprendidas dentro da União Europeia (UE). Por exemplo, penso que a transição para a votação por maioria qualificada na política externa é uma forma importante de evitar bloqueios sistémicos, como vimos no passado, e devemos aproveitar este balanço agora para avançar realmente nesse tópico”, afirmou a líder do executivo comunitário.
Referindo-se à noite de domingo, em que os resultados das legislativas húngaras foram divulgados, Von der Leyen disse ter sido “excecional”, afirmando que a UE sai reforçada das eleições.
“Se olharmos para as discussões de Péter Magyar e para os seus anúncios na esfera pública durante a campanha eleitoral, já se percebe que ele é muito claro quanto ao caminho europeu, e que é também muito claro ao comprometer-se, a si próprio e ao novo governo, a continuar a trabalhar connosco nos diferentes temas que estão em aberto”, disse Von der Leyen sobre o futuro primeiro-ministro da Hungria.
De acordo com os dados oficiais, o partido Tisza de Magyar conquistou 138 dos 199 lugares do hemiciclo, com 53,56% dos votos, contra 55 lugares e 37,86% dos votos do partido Fidesz de Orbán.
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