Volta: Ciclismo brasileiro regressa para provar evolução e sobressair na geral

Sintra, Lisboa, 07 ago 2026 (Lusa) — A presença da Localiza Meoo-Swift Pro Cycling na 87.ª Volta a Portugal em bicicleta marca o regresso de equipas brasileiras à corrida passada uma década, para mostrar o crescimento da modalidade no país e sobressair na classificação geral.

Numa época em que já percorreu as estradas da Argentina, do Ruanda, do Uruguai e dos Estados Unidos, onde venceu a Volta a Gila, por Henrique Avancini, o dorsal número 51 da Volta a Portugal, a equipa sediada em Nova Lima, na área metropolitana de Belo Horizonte, sucede à Funvic Soul Cycles-Carrefour, presente na edição de 2016, e quer mostrar que a modalidade está a evoluir em solo brasileiro.

“O Brasil teve o auge do ciclismo em 2012 e em 2016, com os Jogos Olímpicos Rio2016. Depois, algumas equipas fecharam. O ciclismo caiu muito e foi lá abaixo. Após a pandemia, o ciclismo brasileiro tem vindo a subir devagar. Há muitas equipas a seguir-nos. Estamos a crescer, de forma lenta e gradual”, disse à Lusa o diretor desportivo da equipa, Marcelo Donnabella, à margem da primeira etapa da prova.

À frente de uma equipa que milita no escalão continental desde 2022, o dirigente realça que a Localiza Meoo-Swift Pro Cycling recebeu mais convites neste ano para correr fora do Brasil, tendo ainda prevista uma corrida na China, mostra-se agradado com a receção dos emigrantes brasileiros em Portugal e acredita que é possível obter um lugar de destaque na classificação geral, sem estabelecer fasquia.

“Podemos chegar aqui e podemo-nos surpreender. Podemos estar num nível abaixo ou podemos ser competitivos. A ideia principal é a classificação geral. Ao longo da Volta, vamos saber a nossa realidade. Se não conseguirmos a geral, podemos lutar por alguma etapa ou por alguma camisola”, salientou.

Bicampeão mundial de cross-country maratona em 2018, em Itália, e em 2023, em Glasgow, no Reino Unido, e campeão brasileiro em título de contrarrelógio, Henrique Avancini lidera a formação do estado de Minas Gerais na Volta a Portugal e diz que corre sempre para vencer, embora reconheça que a concorrência pode ser mais forte.

“Em toda a minha vida, corri para ganhar. É lógico que gostaria de vencer. As probabilidades de ganhar são baixas, mas isso nunca me impossibilitou e assustou no sentido de tentar algo ambicioso. Estou numa condição física boa e saudável. O objetivo é lutar pela geral”, salienta o corredor, de 37 anos.

Nono classificado na primeira etapa, que uniu Lourinhã e Queluz, no concelho de Sintra, e 19.º da geral, a 30 segundos do camisola amarela, Rui Oliveira (UAE Emirates), o ciclista de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, admite que, face à experiência de apenas ano e meio na estrada, está ainda a aprender a ler a corrida e a posicionar-se.

“O posicionamento e a leitura de corrida são muito importantes. O ciclismo de estrada tem muito a ver com o ‘timing’, com saber ler a corrida e com fazer diferentes análises do que pode acontecer. É preciso mais equipa e mais liderança”, realça, ao comparar a disciplina com o cross-country.

Ao lado de Avancini, João Rossi enverga a camisola de campeão brasileiro de fundo e está pronto a honrar o legado do compatriota Cássio Freitas, vencedor da Volta em 1992, com “muita força e muita garra para os 10 dias da prova”, em busca da melhor classificação possível.

“A principal ideia é a classificação geral. Posteriormente, caso isso não aconteça, podemos tentar as etapas ou uma camisola”, resumiu o corredor de 26 anos, natural de Ribeirão Preto, no estado de São Paulo, que ocupa o 58.º posto após a primeira etapa.

 

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