
Lisboa, 07 mai 2026 (Lusa) — Os Vizinhos fazem hoje “uma hora e tal de caminho” entre Évora e Lisboa, com paragens para atuações gratuitas, num percurso que cantam em “Pôr do Sol”, tema que tirou a banda alentejana do anonimato.
“Vai ser um bocadinho mais de uma hora e tal. Vai ser um dia inteiro na estrada a fazer pequenos ‘showcases’, a tirar fotos com as pessoas, a partilhar histórias e a conversar um bocadinho também”, disse David Mendonça, um dos elementos do grupo, em entrevista dos quatro Vizinhos à agência Lusa.
A ideia foi recriarem a viagem entre Lisboa, que é grande, e o Alentejo, que ainda é maior, cantada em “Pôr do Sol”, um dos nove temas do álbum de estreia da banda, “Só se estraga uma casa”, que é hoje editado.
O percurso, num autocarro que será também palco, começa em Évora, cidade onde a banda nasceu, na Praça do Giraldo, às 10:00, e termina em Lisboa, às 18:30, junto à entrada principal do Campo Pequeno. Pelo caminho, a banda fará paragens em Montemor-o-Novo, em frente ao Cineteatro Curvo Semedo, às 12:00, e em Vendas Novas, junto ao Mercado Municipal, às 13:30.
“Vai ser uma festa, porque os Vizinhos são uma festa e em todo o sítio onde vamos tentamos passar essa energia”, prometeu David Mendonça.
A música na origem deste percurso, “Pôr do Sol”, conta com milhões de visualizações e audições nas várias plataformas digitais, e valeu aos Vizinhos o prémio de Canção do Ano da edição de 2026 dos PLAY — Prémios da Música Portuguesa, a única categoria cujo vencedor é escolhido pelo público.
Antes de “Pôr do Sol”, David Mendonça, Francisco Cartaxo, Miguel Brites e Tomás Cartaxo, com idades entre os 21 e os 26 anos, eram apenas quatro amigos, que a vida tinha juntado no Grupo Académico Seistetos da Universidade de Évora e que tinham decidido criar uma banda.
Há pouco mais de um ano divulgaram a música, escrita em setembro de 2024 “num jantar boémio”, e que em pouco tempo “começou a explodir em todo o lado”, recordou Francisco Cartaxo.
David Mendonça acredita que o sucesso da banda, impulsionado por “Pôr do Sol”, e depois com “Pobre ex-namorado” e “Casar é pra esquecer”, deve-se muito à “verdade e sinceridade” que mostram às pessoas, sobretudo nos vídeos que vão partilhando nas redes sociais.
Em 08 de dezembro de 2024, os Vizinhos partilharam o vídeo “Dia 01 a começar uma banda do zero até ao Coliseu”. Desde então, todos os domingos publicam um novo vídeo. Em 03 de maio deste ano saiu o do dia 74.
Além disso, vão comunicando diariamente com os fãs através de outras publicações ou ‘stories’. “Tem sido um processo sincero, verdadeiro, e também tem sido um processo rápido”, considerou David Mendonça.
O objetivo final — a chegada ao Coliseu — foi anunciado em novembro passado e concretiza-se nos dias 21 e 28 de novembro deste ano, nos Coliseus de Lisboa e do Porto, respetivamente.
Subir a palco era algo a que já estavam habituados no Grupo Académico Seistetos, embora agora sintam “mais o peso da responsabilidade”, salientou Miguel Brites.
A maior diferença é que passaram “do palco da terrinha para os grandes palcos e os grandes festivais”, juntou David Mendonça.
No caminho até aos grandes palcos, os Vizinhos destacam a importância nesse percurso de outros músicos alentejanos, como João Direitinho, dos Átoa, que é também o ‘manager’ do grupo, Luís Trigacheiro e Buba Espinho, todos representantes de uma nova geração que tem dado um cunho contemporâneo ao tradicional Cante Alentejano.
Embora não sejam um grupo de Cante, este género musical faz parte da história dos Vizinhos, desde o grupo Académico Seistetos.
“Todo o elemento que entra para esse grupo tem de aprender minimamente a cantar uma moda, como se diz lá no Alentejo, e o Cante faz parte das nossas raízes, porque assim que entrámos no grupo, a primeira coisa que fizemos foi aprender a cantar o Cante, aprender algumas modas alentejanas”, contou Francisco Cartaxo.
O Cante está presente nas canções dos Vizinhos nas harmonias, “mas não no estilo de música”. “O nosso estilo pode ser considerado um estilo novo em Portugal, que é o pop alentejano”, disse.
Bandolim, acordeão, baixo e guitarra são os instrumentos que fazem as músicas da banda, criadas com inspiração em bandas como os Os Quatro e Meia, também eles criados em contexto académico, mas em Coimbra, ou os Atitude 67, convidados no álbum, e o Grupo Menos é Mais, dois grupos brasileiros de pagode.
O ‘pop alentejano’ tem conquistado várias gerações e foi sobretudo nos concertos que a banda ganhou essa noção, ao verem na plateia netos com avós, filhos com pais. “Foi também um dos nossos objetivos desde o início, fazer música para toda a gente”, disse Tomás Cartaxo.
Com apenas nove temas originais criados, o alinhamento dos concertos dos Vizinhos inclui também modas alentejanas, músicas do Grupo Académico Seistetos, nomeadamente as que gravaram em 2024 com os Átoa, e um tema de Os Quatro e Meia, homenagem que fazem “desde o início da banda” e que já faziam com o grupo da universidade.
Para o espetáculo que irão apresentar nos Coliseus está tudo em aberto. Sem nada preparado, mas com “muitas ideias”, os Vizinhos vão tentar “dar tudo às pessoas” nos dias em que atuarem na sala que “moveu o projeto”. “Porque o sonho dos vizinhos sempre foi ir até ao Coliseu”, lembrou David Mendonça.
A única certeza que têm em relação a esses dias é que vão “poder dar o fim à série de vídeos de ‘começar uma banda de zero até encher o Coliseu'”. “Porque estamos a ver os números [de vendas de bilhetes] e está a correr muito bem”, confidenciou Tomás Cartaxo.
O que virá depois desses dias também não sabem, mas Miguel Brites propõe que se inicie nova série, agora até chegarem a salas maiores ou até ao estádio do Sporting, equipa pela qual os quatro torcem.
Com pouco mais de um ano de carreira, e muitos sonhos ainda por concretizar, os quatro amigos acreditam que daqui a 20 ou 30 anos continuarão a ser os Vizinhos, talvez com menos sucesso mas isso só o tempo dirá.
*** Joana Ramos Simões (texto) e Tiago Petinga (fotos), da agência Lusa ***
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