
Porto, 27 jul 2026 (Lusa) – O presidente do FC Porto defendeu hoje que o presidente do Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Luciano Gonçalves, suspenda temporariamente funções até serem esclarecidas as suspeitas relacionadas com o processo de nomeações.
No editorial da edição de julho da revista Dragões, André Villas-Boas considera que a atual crise institucional no setor da arbitragem “não augura nada de bom” para o arranque da nova temporada e renova as crÃticas ao funcionamento do CA.
“Consideramos prudente que o presidente do CA suspenda temporariamente as suas funções enquanto defende o seu bom nome e os factos sejam esclarecidos. Não como antecipação de culpa, mas como proteção da própria pessoa, da função que exerce e da instituição que representa”, pode ler-se.
Ainda que o Conselho de Justiça (CJ) da FPF tenha arquivado o processo disciplinar a Luciano Gonçalves por alegadas interferências na arbitragem, na sexta-feira, Villas-Boas entende que esse desfecho “não atenua a desconfiança instalada na liderança do setor”, numa fase em que decorre um inquérito do Ministério Público (MP), coadjuvado pela PolÃcia Judiciária (PJ).
Segundo o presidente portista, o clube não pretende retirar conclusões antecipadas ou substituir-se às autoridades judiciais e pede um esclarecimento célere dos factos.
“As notÃcias recentemente conhecidas dão conta de que a PJ recebeu uma participação e está a desenvolver diligências sobre suspeitas de corrupção e tráfico de influências relacionadas com essas nomeações. Não antecipamos conclusões, não fazemos condenações públicas e não nos substituÃmos à s autoridades. Esperamos, isso sim, um apuramento célere, rigoroso e completo”, ressalva.
O dirigente portista pede ainda a intervenção da FPF, defendendo que o organismo não pode tratar o caso “como uma mera divergência interna”.
“O que está em causa é a confiança nos processos, nas nomeações e na integridade das competições após uma época desastrosa”, sublinhou.
O processo do CJ da FPF a Luciano Gonçalves foi instaurado na sequência de uma denúncia de Duarte Gomes, que, depois de se demitir do cargo de Diretor Técnico Nacional de Arbitragem, alegou que um árbitro tinha partilhado consigo “um conjunto de informações que, pelo seu teor e sensibilidade, suscitaram preocupações institucionais muito relevantes”.
O relatório considerou provado que Luciano Gonçalves enviou uma mensagem a Hélder Malheiro, mas concluiu que “não foi possÃvel determinar, com segurança, o contexto nem o significado da mensagem”, rejeitando que existam elementos suficientes para afirmar que a mesma estivesse relacionada com alegadas promessas de manutenção de Hélder Malheiro na primeira categoria.
O instrutor entendeu que não foi produzida prova suficiente que permitisse concluir que Luciano Gonçalves tenha facultado antecipadamente informação sobre a nomeação de árbitros ou que tenham existido nomeações efetuadas a pedido de qualquer clube.
Já hoje, o jornal Público revelou que a PJ recebeu uma participação com várias informações sobre o caso, em relação às nomeações dos árbitros e à forma como eram conhecidas, dando exemplos de casos concretos.
THYG (AJO/AO/RTF/RPM/NFO) // VR
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