
Moscovo, 30 set 2026 (Lusa) – Os deputados russos reelegeram hoje por maioria Viacheslav Volodin como presidente da Duma, a câmara baixa do Parlamento da Rússia, durante a primeira sessão da nona legislatura.
Desta forma, Volodin, que assumiu o cargo em 2016, torna-se o primeiro chefe da câmara baixa do Parlamento russo a exercer a função durante três legislaturas consecutivas, superando os dois mandatos de Guennadi Selezniov (1996-2003) e Boris Grizlov (2003-2011).
O candidato do partido do chefe de Estado, Rússia Unida, recebeu mais de 90% dos votos, obtendo o apoio de 406 deputados — ou seja, tanto da formação governamental como de vários partidos do sistema político oficial: liberais, ultra-nacionalistas e social-democratas.
Apenas 36 parlamentares comunistas votaram contra decidindo apoiar um dos vice-presidentes, Dmitri Nóvikov, como candidato ao cargo.
Volodin, de 62 anos, desempenhou entre 2011 e 2016 as funções de vice-chefe da Administração Presidencial e foi eleito deputado nas últimas eleições parlamentares com mais de 82% dos votos pela região de Saratov.
Nos últimos anos, a Duma aprovou vários tipos de leis que restringem os direitos fundamentais dos cidadãos russos, incluindo os que se exilaram no estrangeiro desde o início da guerra contra a Ucrânia, em 2022.
Hoje, a primeira sessão da câmara dos deputados coincidiu com o quarto ano da anexação de quatro regiões ucranianas; uma delas — Donetsk — não totalmente controlada pelo Exército russo.
Além do trabalho parlamentar, Volodin realizou, nos últimos anos, viagens ao estrangeiro para visitar países aliados da Rússia, como a Coreia do Norte e Cuba.
A oposição democrática considera que a atual câmara baixa carece de legitimidade devido às inúmeras irregularidades a favor do partido no poder, detetadas durante a votação realizada entre 18 e 20 de setembro.
Segundo o Rússia Unida, 50 deputados da nova câmara são, teoricamente, veteranos da guerra na Ucrânia.
No entanto, nenhum parlamentar se opõe abertamente à campanha militar, uma vez que o único partido pacifista, o Yabloko, foi excluído dos boletins de voto por decisão do Supremo Tribunal.
Perante a insistência dos comunistas, o Presidente russo, Vladimir Putin, aceitou na segunda-feira a revisão dos resultados em algumas regiões do país — em todas foi vitorioso o partido Rússia Unida, a formação política que detém 349 dos 450 lugares da Duma.
PSP // APN
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