Ventura reforça apelo ao voto e desafia Cotrim e Mendes a dizer “que se lixe Montenegro”

Montemor-o-Velho, Coimbra, 16 jan 2026 (Lusa) – O candidato presidencial apoiado pelo Chega reforçou na quinta-feira à noite o apelo ao voto no domingo alegando que “a mudança nunca esteve tão perto”, numa intervenção na qual desafiou Cotrim e Mendes a dizerem “que se lixe” o primeiro-ministro.

“Há adversários meus que estão nestas eleições para agradar a Luís Montenegro, eu não estou. Eu não percebo aqueles adversários à direita que parece que andam a pedinchar, ‘por favor Luís Montenegro venha aqui apoiar-nos’, são os liberais e os sociais-democratas. Eu convidava o Cotrim ou o Luís Marques Mendes a fazer isto: eu quero que se lixe o Montenegro, eu quero o povo português”, desafiou André Ventura.

Num jantar-comício em Montemor-o-Velho, distrito de Coimbra, o também líder do Chega afirmou que será “engraçado” ver como se vão posicionar liberais e sociais-democratas, que sempre disseram combater o socialismo, caso uma segunda volta seja disputada com um candidato socialista – neste caso, António José Seguro.

André Ventura realçou que uma mudança no país “nunca esteve tão perto” e voltou a apelar aos seus apoiantes, a cerca de um dia para o fim da campanha, para que se desloquem às urnas no domingo e “não desistam nem por um segundo”.

O candidato voltou a referir a situação dos emigrantes portugueses que têm que se deslocar até às embaixadas e consulados no estrangeiro para votar presencialmente, muitas vezes percorrendo vários quilómetros.

“Se quem tem que fazer dois mil quilómetros se vai sacrificar para cumprir o seu dever, nós não temos razão nenhuma para não votar no domingo. Se eles vão, nós também iremos e nós temos que ir votar em todas as secções de voto em Portugal”, apelou.

Durante uma intervenção de cerca de meia hora, Ventura repetiu várias ideias-chave que foi reiterando durante a campanha eleitoral, e voltou a pedir aos eleitores “uma oportunidade”, rejeitando a alternância política entre PS e PSD.

“O que é que perdem em arriscar uma vez? O que é que perdem em dar-me uma oportunidade? (…) Não podemos continuar a queixar-nos entre PS e PSD e ficarmos a queixar-nos no sofá”, realçou.

O candidato presidencial insistiu na ideia de “pôr Portugal na ordem” e de um país que põe os seus cidadãos nacionais “em primeiro lugar”.

Ventura alegou que o país deixou entrar “toda a gente praticamente sem controlo” e “pessoas que não interessavam nada”, quando os seus jovens “estão a ir embora”.

“O saldo é amplamente negativo. Os nossos melhores estão a ir embora e estamos a importar o terceiro mundo. Um país que importa o terceiro mundo torna-se no terceiro mundo”, afirmou.

Já no final de um discurso num jantar longo e que terminou já depois da meia-noite, André Ventura resgatou a imagem do primeiro rei de Portugal e uma história que lhe contavam na universidade.

“[Quando] D. Afonso Henriques estava a descer por aí abaixo, cada vez que parava e tinha que pensar noutra batalha que tinha que travar contra os mouros, ele dizia sempre aos seus soldados: ‘Amanhã podemos viver ou morrer, mas Portugal vai continuar'”, disse.

“Se D. Afonso Henriques me estiver a ver lá em cima, agora mesmo, eu gostava que ele sentisse, não eu, mas que nós somos outra vez esse espírito de podermos viver ou podemos morrer mas que Portugal tem de estar em primeiro lugar”, afirmou.

Na sua intervenção, fez referência à imprensa para lhe pedir que mostrasse “ao país” a quantidade de pessoas que estavam naquela sala, ouviram-se apupos ruidosos por parte dos presentes, dirigidos à comunicação social.

No jantar, estiveram cerca de 700 pessoas, e foram cantados parabéns a Ventura, que fez 43 anos na quinta-feira.

 

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