
Bruxelas, 19 abr 2026 (Lusa) — A União Europeia (UE) condenou hoje o ataque contra elementos da missão de paz das Nações Unidas no Líbano, que matou um capacete azul francês e feriu outros três, responsabilizando a milícia xiita Hezbollah.
Em comunicado, um porta-voz do Serviço Europeu de Ação Externa afirma “que, segundo todas as indicações, [o ataque] foi perpetrado pelo Hezbollah”, o que o grupo extremista próximo do Irão já veio negar.
Uma emboscada executada no sábado resultou na morte de um soldado francês ao serviço da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) e fez também três feridos, dois dos quais graves.
Bruxelas exige que seja feita uma “investigação rápida, exaustiva e independente para garantir que os responsáveis prestem contas”.
Recordando que os ataques a pessoal das Nações Unidas são uma greve violação do direito internacional, a UE reafirmou o “apoio inabalável à FINUL” pelo “papel vital (…) para preservar a estabilidade” na região.
A UE instou ainda “todas as partes a respeitar o cessar-fogo acordado e o Hezbollah a desarmar-se e a acabar imediatamente com os ataques”.
A situação permanece muito instável no Líbano, onde um frágil cessar-fogo entrou em vigor na quinta-feira, anunciado por Washington após uma reunião, no início da semana, entre os embaixadores libanês e israelita nos Estados Unidos, o primeiro encontro deste tipo em décadas.
O Líbano foi arrastado para a guerra no Médio Oriente quando o Hezbollah retomou os ataques contra Israel, em 02 de março, após o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, aliado e financiador do grupo xiita libanês.
No mesmo dia, as autoridades libanesas proibiram as atividades militares do Hezbollah, após vários meses em que procuraram desarmar o grupo, que, no entanto, recusa entregar o seu equipamento militar enquanto o país estiver sob ameaça de Israel e não cessou os seus ataques aéreos contra o país vizinho.
Em resposta, as forças israelitas desencadearam uma vasta operação militar no Líbano, através de bombardeamentos intensivos alegadamente contra alvos do Hezbollah, a par da expansão das posições terrestres que já ocupavam no sul do país.
Em declarações feitas no sábado, o líder do Hezbollah prometeu retaliar contra os ataques israelitas no Líbano.
“Um cessar-fogo significa a cessação completa de todas as hostilidades. Como não confiamos neste inimigo [Israel], os combatentes da resistência permanecerão no terreno, prontos para disparar, e responderão a quaisquer violações”, garantiu Naim Qassem num comunicado lido na televisão, acrescentando que uma trégua não pode ser unilateral.
O líder do Hezbollah afirmou que a forma como “os Estados Unidos estão a impor o seu texto e a falar em nome do Governo libanês” é um insulto ao Líbano.
SBR (ARL/HB) // MAG
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