UE “sem vontade” para expandir missões navais para o Estreito de Ormuz — Kallas

Bruxelas, 16 mar 2026 (Lusa) — A chefe da diplomacia da União Europeia (UE) afirmou hoje que “não há vontade” entre os Estados-membros para expandir missões navais do bloco para o Estreito de Ormuz e afirmou que a guerra no Irão “não é da Europa”.

“Por agora, não há vontade em mudar o mandato da operação ‘Aspides'”, afirmou Kaja Kallas em conferência de imprensa no final de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 da UE, em Bruxelas.

A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança referia-se à missão naval “Aspides”, que visa proteger navios comerciais e mercantes no Mar Vermelho, e que poderia eventualmente ser mobilizada para o Estreito de Ormuz caso os 27 assim o decidissem.

Kaja Kallas referiu que, na reunião, os ministros concordaram em reforçar essa missão, “porque não dispõe de muitos navios”, mas não quiseram expandir o seu mandato para o Estreito de Ormuz, optando por mantê-la no Mar Vermelho.

“Embora o Estreito de Ormuz esteja no centro das atenções, o Mar Vermelho continua igualmente a ser crucial. O risco de os Huthis [rebeldes xiitas iemenitas] se envolverem é real, pelo que devemos permanecer vigilantes”, defendeu, considerando, contudo, que se mantém “uma prioridade urgente” retomar a exportação de fertilizantes, comida e energia através do Estreito de Ormuz.

Questionada sobre como é que irá conseguir conciliar o facto de os Estados-membros não quererem expandir a presença naval para o Estreito de Ormuz mas defenderem a retoma das exportações nesse eixo central do tráfego marítimo, Kallas respondeu que “ninguém quer entrar ativamente nesta guerra” e o envolvimento que a UE tenciona ter é sobretudo diplomático.

“Esta guerra não é da Europa”, disse.

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