
Bruxelas, 09 mai 2026 (Lusa) — A União Europeia disse hoje estar “profundamente alarmada” com os relatos da grave situação de saúde da ativista iraniana Narges Mohammadi, Nobel da Paz 2023, e exortou as autoridades de Teerão para que permitam tratamento médico urgente.
“A União Europeia está profundamente alarmada com relatos sobre a grave condição de saúde da defensora dos direitos humanos e laureada com o Prémio Nobel da Paz, Narges Mohammadi, que atualmente está detida no Irão”, afirmou, em comunicado, o serviço diplomático do bloco europeu.
Na mensagem, Bruxelas exorta as autoridades iranianas a “tomarem imediatamente todas as medidas necessárias para que Narges Mohammadi receba finalmente e urgentemente um atendimento médico adequado”.
A ativista, 54 anos, que se encontra a cumprir uma pena de seis anos de prisão por acusações relacionadas com a segurança nacional iraniana, foi hospitalizada no dia 01 por complicações cardíacas.
Segundo a fundação com o seu nome, os médicos que a observaram alertaram que qualquer atraso na transferência da paciente para Teerão para tratamento especializado e realização de uma angiografia podia representar “riscos irreparáveis e potencialmente vitais”.
Mohammadi está internada na unidade de cuidados coronários de um hospital da cidade de Zanjan (centro do Irão), e, apesar dos pedidos da família e da equipa médica, o procurador de Teerão continua a opor-se à transferência da ativista para a capital iraniana.
No comunicado, a UE reitera que as acusações contra Narges Mohammadi “se baseiam unicamente na sua defesa legítima e pacífica dos direitos humanos” e insiste na “libertação imediata e incondicional” da ativista.
“Também pedimos às autoridades iranianas que libertem todos aqueles injustamente presos no exercício legítimo de sua liberdade de expressão, inclusive durante os recentes protestos, e que cumpram as obrigações do Irão sob o direito internacional, incluindo o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, do qual o Irão é parte”, afirma ainda.
Na sexta-feira, os Estados Unidos também instaram Teerão a “libertar imediatamente” a ativista e a prestar-lhe “os cuidados de que necessita”.
“O mundo está a testemunhar”, avisou Riley Barnes, secretário adjunto de Estado dos EUA para os Direitos Humanos, nas redes sociais.
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