
Bruxelas, 09 mar 2026 (Lusa) — A UE vai assinar, nos próximos dias, parcerias de segurança e defesa com Austrália, Gana e Islândia, cruciais no atual contexto internacional, anunciou hoje a chefe da diplomacia dos 27.
Kaja Kallas afirmou, num discurso na conferência anual dos embaixadores da UE, em Bruxelas, que as duas “crises globais mais preeminentes”, numa referência às guerras no Irão e na Ucrânia, estão “diretamente relacionadas porque partilham a mesma fundação: a erosão do direito internacional”.
A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança destacou que se está a assistir “ao enfraquecimento de normas, regras e instituições internacionais que foram construídas nos últimos 80 anos”.
Kallas afirmou que, se não se restaurar o direito internacional, o mundo está “condenado à disrupção e ao caos”.
“O nosso grau de sucesso [para restaurar o direito internacional] depende de duas coisas: primeiro, conseguirmos cumprir as nossas prioridades. Segundo, mobilizarmos apoio internacional”, disse.
Neste contexto, a chefe da diplomacia da UE salientou que o desenvolvimento de parcerias é particularmente importante “para a capacidade de resistência da Europa enquanto força global para o bem”, salientando que, quanto mais parceiros conseguir mobilizar, mais hipóteses tem de “superar as forças que procuram moldar o mundo à sua vontade”.
Kallas considerou que a atual oferta da UE para os parceiros internacionais é “muito mais ampla do que alguma vez foi”, referindo que, em termos de segurança, tem uma “parceria estratégica de longa data com a NATO”, mas também nove parcerias com países na Europa, na Ásia e na América do Norte.
“No final desta semana, assinarei a décima parceria com a Austrália e, nos dias seguintes, outras com Islândia e Gana. Temos ainda muitos outros países interessados que estão a bater à nossa porta”, salientou.
A chefe da diplomacia da UE referiu que “um número crescente de países está a tentar diversificar as suas parcerias para gerir um contexto de riscos acrescidos”, salientando que, como a UE, “procuram estabilidade e ações coletivas para responder a desafios comuns”.
“Como nós, aprenderam que dependências tornam-nos mais fracos e dão uma influência indevida a quem quer dividir o mundo em esferas de influência. E, como nós, compreendem que uma ordem internacional baseada em regras é vital para evitar a anarquia”, afirmou.
A UE tem atualmente parcerias de segurança e Defesa com Índia, Canadá, Reino Unido, Albânia, Macedónia do Norte, Coreia do Sul, Japão, Noruega e Moldova, todas assinadas a partir de 2024.
Estas parcerias visam reforçar a cooperação e coordenação da UE com países considerados próximos em áreas que vão da Defesa, às ameaças híbridas, contraterrorismo, gestão de crises ou segurança marítima, cibernética e espacial.
Neste discurso, a chefe da diplomacia da UE abordou ainda a guerra no Irão, sublinhando tratar-se de outro conflito que “traz incerteza e caos” e sem fim previsível à vista, apesar de saudar o enfraquecimento do regime iraniano.
“O Irão é responsável por décadas de violência e quanto menos opções tiver para aterrorizar a região, melhor. O regime está mais fraco do que esteve durante muitos anos, mas não há uma perspetiva clara sobre como é que esta guerra vai terminar”, referiu.
Kallas avisou que “o Médio Oriente tem muito a perder com qualquer guerra prolongada”.
“Assim como a Europa e o mundo. Por isso é que a UE continua a apelar a todas as partes envolvidas para que exerçam a máxima contenção, protejam os civis e respeitem o direito internacional”, disse.
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