
Kiev, 08 mar 2026 (Lusa) — A Ucrânia apelou hoje aos organizadores da Bienal de Veneza para não autorizarem a participação da Rússia, que deverá regressar em maio ao evento, pela primeira vez desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
“Apelamos aos organizadores da Bienal de Veneza para reverem a decisão de autorizar a Federação Russa a regressar e a manterem a posição demonstrada em 2022 e 2024”, declararam, em comunicado, os ministros dos Negócios Estrangeiros, Andriï Sybiga, e da Cultura, Tetiana Berejna.
A Bienal havia impedido a participação de todas as pessoas ligadas ao Governo russo em 2022, como forma de protesto pela invasão da Ucrânia, em larga escala, por Moscovo.
A Rússia esteve igualmente ausente na edição de 2024 e deve regressar na edição de 2026, que se realiza de 09 de maio a 22 de novembro, sob a direção de Pietrangelo Buttafuoco, que iniciou funções em março de 2024.
“Desde 2022, a guerra desencadeada pela Rússia tirou a vida a 346 artistas e a 132 profissionais de media ucranianos e estrangeiros” e a Rússia danificou ou destruiu milhares de sítios culturais, afirmou Kiev, no comunicado.
“A Rússia usa igualmente abertamente a cultura como instrumento de influência política”, sublinharam os representantes ucranianos, defendendo ser inaceitável, neste contexto, autorizar a representação da Rússia em eventos culturais internacionais.
Durante esta 61ª edição, cerca de 40 artistas russos deverão participar na exposição “The tree is rooted in the sky” (“a árvore está enraizada no céu” em tradução livre), que ficará patente no pavilhão russo, situado nos jardins da Bienal.
O ministério italiano da Cultura afirmou hoje que esta decisão foi tomada “com total independência” pela Fundação da Bienal, “apesar da oposição do Governo italiano”.
A Bienal de Veneza é um dos maiores encontros de arte contemporânea.
A guerra já custou dezenas de milhares vidas civis e militares à Ucrânia e à Rússia, de acordo com várias fontes.
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