Ucrânia defende reação a anúncio sobre cidadania russa na Transnístria

Kiev, 17 mai 2026 (Lusa) – O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, defendeu que a Ucrânia e a Moldova devem responder às novas medidas de Moscovo que facilitam a obtenção da cidadania russa para os habitantes da região separatista moldova da Transnístria.

Um novo decreto, assinado no sábado, pelo líder da Rússia, Vladimir Putin, permitirá que os residentes permanentes da Transnístria com mais de 18 anos obtenham a cidadania russa através de um processo simplificado.

O decreto dispensa a exigência de conhecimentos da língua russa, da história russa e da legislação russa, assim como de terem vivido na Rússia durante cinco anos antes da apresentação do pedido.

Horas depois, Zelensky disse que “a Rússia deu mais um passo em relação à Transnístria: simplificou o acesso à cidadania para as pessoas originárias desta região da Moldova”.

“Esta é uma medida muito reveladora. Não significa apenas que a Rússia esteja à procura de novos recrutas — uma vez que a cidadania também implica a obrigação de prestar serviço militar — mas é também uma forma de reivindicar o território da Transnístria”, denunciou o Presidente ucraniano.

Numa publicação nas redes sociais, Zelensky acusou a Rússia de querer anexar mais territórios para além das atuais aspirações à região do Donbas, no leste da Ucrânia.

“Os que estão em Moscovo costumam dizer a vários interlocutores que estão supostamente interessados apenas no Donbas. Na realidade, o que está em jogo é muito mais do que Donbas. Temos de responder a isso”, defendeu.

“Ainda mais, dado que a presença do contingente militar russo e dos serviços especiais na Transnístria também representa um desafio para nós. [A Ucrânia] precisa de uma Moldova estável e forte”, afirmou Zelensky.

A Transnístria é uma região separatista não reconhecida, localizada entre o rio Dniester e a fronteira entre a Moldávia e a Ucrânia. Atualmente, consegue operar fora do controlo governamental em Chisinau, com moeda, força policial, exército e serviço postal próprios.

Com a queda e subsequente desintegração da União Soviética, e perante a possibilidade de a Moldova passar a fazer parte da Roménia, vários distritos na margem oriental do rio Dniester, com uma população predominantemente russófona, proclamaram a República Moldava da Transnístria no início da década de 1990.

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