
Varsóvia, 02 set 2026 (Lusa) – O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, descreveu hoje como um “ato de sabotagem” o incêndio numa fábrica de drones em Skarzysko-Kamienna, no centro da Polónia, incidente que foi seguido por um semelhante noutra empresa de defesa em Lublin.
Embora não tenha atribuÃdo os alegados atos de sabotagem em solo polaco, o lÃder do Partido Popular indicou que as próximas semanas e meses serão crÃticos para os paÃses da Europa de Leste face aos “planos russos de aumentar a tensão e a desestabilização”.
“Na Polónia e na Alemanha, nas últimas horas, ocorreram incidentes muito preocupantes. Trata-se de uma continuação da escalada das ações da Rússia em toda a região”, acrescentou, relacionando os incidentes com os ataques frustrados no aeroporto de Leipzig, que as autoridades alemãs atribuÃram a Moscovo.
“Em relação aos incêndios nas duas fábricas, no caso de Skarzysko-Kamienna, não há dúvida de que foi um incêndio criminoso, um ato de sabotagem”, declarou o primeiro-ministro polaco após a sua reunião semanal de gabinete, citado pela Polskie Radio.
O governante referia-se ao incidente numa fábrica operada pela empresa de defesa WB Electronics, que produz sistemas não tripulados.
Em relação ao incêndio noutra fábrica de componentes aeronáuticos em Lublin, no leste da Polónia, Tusk afirmou não ter “qualquer evidência nesse sentido”, embora tenha reconhecido que nenhuma hipótese poderia ser descartada “dada a natureza da produção”.
Na terça-feira, o vice-ministro do Interior polaco, Czeslaw Mroczek, também tinha indicado que há indÃcios de sabotagem no incêndio ocorrido na segunda-feira na fábrica de drones, sublinhando que a ligação à Rússia é evidente.
“Lidamos com atos de sabotagem há vários anos, não só no nosso paÃs, mas em toda a Europa, principalmente nos paÃses que apoiam a Ucrânia, com o objetivo de impedir que estas sociedades e paÃses a apoiem”, destacou, em entrevista à rádio RMF FM.
Em agosto, um cidadão russo foi detido em Varsóvia, acusado de planear o assassinato de um ucraniano-americano, e um ucraniano foi também detido por suspeita de tentar bombardear uma figura proeminente da indústria bélica ucraniana.
Estes casos somam-se a uma série recente de detenções por sabotagem e operações secretas atribuÃdas pelo governo polaco à Rússia.
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