Turquia convoca 10 embaixadores após pedido de libertação de Osman Kavala

Ancara, 19 out 2021 (Lusa) – O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Turquia convocou hoje os embaixadores dos Estados Unidos e de nove outros países para protestar formalmente contra a posição que tomaram no sentido da libertação do ativista de direitos humanos Osman Kavala.

Os vários países tomaram posição com base na decisão do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que exige a libertação de Cavala, provocando o protesto de Ancara, que considera a decisão uma “intromissão” no sistema judicial turco.

Osman Kavala, 64 anos, filantropo e ativista de causas relacionadas com direitos humanos está preso na Turquia há quatro anos acusado de envolvimento nos protestos que começaram no Parque Gezi, Istambul, em 2013.

Kavala é também acusado de envolvimento na intentona militar de 2016.

O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos pediu a libertação de Kavala em 2019, mas as autoridades turcas ignoraram a determinação, mantendo preso o defensor de direitos humanos sem julgamento.

Na segunda-feira, as embaixadas dos Estados Unidos, Canadá, França, Finlândia, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Nova Zelândia Noruega e Suécia tomaram uma posição conjunta em que afirmam que os atrasos no julgamento de Kavala na Turquia “ensombram o respeito pela democracia, o Estado de Direito e os princípios da transparência”.

“Tomando em conta as determinações do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos sobre o assunto, apelamos à Turquia para o libertar (Kavala) imediatamente”, diz o comunicado conjunto, que foi divulgado através da conta oficial da embaixada dos Estados Unidos em Ancara na rede social Twitter. 

Oficialmente, a Turquia acusa as várias embaixadas que subscrevem o documento de não respeitarem a “independência dos tribunais turcos”.

“Alguns embaixadores, que têm como obrigação mostrarem lealdade para com a independência dos países em que servem, excederam os limites e pedem que (políticos) interfiram no sistema judiciário”, disse o vice-presidente da Turquia, Fuat Oktay.

No mês passado, 47 membros do Conselho da Europa, organismo de que a Turquia faz parte, anunciaram que vão começar a tomar posições contra Ancara se Kavala não for libertado antes da próxima reunião ministerial marcada para novembro.

As medidas podem resultar em punições, incluindo a possível suspensão da Turquia no quadro do Conselho da Europa.

Kavala, que como filantropo apoia projetos culturais e artísticos junto de minorias, é acusado pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, de ser o “braço” do milionário norte-americano George Soros, considerado pelo chefe de Estado como o responsável por atos de insurreição em muitos países, a nível global. 

Kavala, que rejeita todas as acusações, enfrenta uma pena de prisão perpétua caso venha a ser condenado na Turquia. 

 

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