
Washington, 26 ago 2026 (Lusa) — O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou hoje não ter pressa nem prazo para reatar negociações de paz com o Irão e alegou que mantém uma “grande vantagem” sobre a República Islâmica, após quase seis meses de guerra.
“Não tenho pressa. Não tenho prazo nenhum. Estamos a ganhar por uma larga margem”, declarou Trump em entrevista à estação Al-Jazeera sobre o processo de diálogo com Teerão, que se encontra parado.
O lÃder norte-americano reiterou que o Irão enfrenta uma “enorme inflação” e que a sua “economia está em colapso”.
Repetiu ainda que os lÃderes iranianos “tratam muito mal o seu povo e estão a matar muitos manifestantes”.
Estas declarações surgem dois dias depois de Washington ter anunciado a operação “Pária Económico”, que procura sancionar qualquer pessoa ou entidade que negoceie com o Irão.
As novas medidas, que ainda não foram implementadas, juntam-se ao bloqueio naval norte-americano aos portos e costas iranianas, em resposta à ameaça militar que Teerão impôs desde o inÃcio da guerra no estreito de Ormuz, por onde passavam anteriormente 20% dos hidrocarbonetos mundiais, fazendo disparar os preços do petróleo.
Questionado se as medidas de asfixia económica contra o Irão produzem mais resultados do que um ataque militar, o lÃder da Casa Branca disse que “ambos são eficazes”, depois de o secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, não descartar o regresso do uso da força.
Noutra entrevista, concedida ao radialista conservador Glenn Beck, Donald Trump insistiu que o estreito de Ormuz “está completamente operacional” e sob controlo dos Estados Unidos e que 32 navios transitaram por esta passagem na última noite.
Teerão alega porém o contrário e as empresas de rastreamento marÃtimo indicam números de travessias bastante mais baixos nos últimos dias.
À margem dos Estados Unidos, os ministros dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr al-Busaidi, e do Irão, Abbas Araghchi, reuniram-se em Teerão na terça-feira, para discutir a criação de um corredor marÃtimo temporário no estreito de Ormuz, que inclui operações de desminagem.
Segundo as duas partes, as negociações vão continuar para estabelecer um corredor permanente e definir a futura gestão do estreito, bem como um mecanismo para “fornecer os serviços de navegação e segurança necessários”.
Assim que o acordo provisório estiver concluÃdo, Teerão e Mascate terão entre 30 e 60 dias para negociar uma rota permanente, segundo o vice-ministro dos Negócios estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, que excluiu a presença em Ormuz de qualquer embarcação militar num futuro entendimento.
De acordo com a Guarda Revolucionária iraniana, envolvida nestas negociações, foram alcançados “alguns acordos” com Omã “relativos à quota de cada paÃs nas águas do estreito” e “à s suas receitas”.
Washington já avisou que se opõe a partes do acordo em desenvolvimento, incluindo a gestão conjunta da rota de saÃda da passagem marÃtima, e Donald Trump ameaçou Omã com bombardeamentos caso o sultanato se colocasse “no caminho” dos interesses norte-americanos.
O Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reconheceu recentemente que o seu paÃs enfrenta “numerosas dificuldades económicas” após décadas de sanções norte-americanas e internacionais.
No entanto, avisou hoje que “os Estados Unidos não ganharão nada com a pressão económica nesta fase, tal como não ganharam nada durante a guerra”.
Washington e Teerão acordaram em 17 de junho um memorando de entendimento, que incluiu um cessar-fogo imediato, a reabertura do estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio naval entretanto imposto pelos Estados Unidos aos portos do Irão.
As partes voltaram no entanto à confrontação e aos respetivos bloqueios navais e não prosseguiram as negociações previstas no memorando para alcançarem um acordo de paz definitivo, cujo prazo de dois meses já expirou.
O Irão exige que os Estados Unidos voltem aos compromissos assumidos no memorando e o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros reiterou que o estreito de Ormuz só será “reaberto em troca do fim da guerra em todas as frentes e do levantamento do bloqueio americano” aos portos iranianos.
Kazem Gharibabadi exigiu ainda “uma solução para a situação no Iémen”, onde os rebeldes Huthis, aliados a Teerão, lançaram ataques contra navios sauditas no Mar Vermelho.
A resposta do Irão à s sanções norte-americanas será “atacar os seus interesses económicos”, afirmou ainda.
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