Tragédia em N.S. Dois anos depois, famílias denunciam falha na operação

Foto: Covid-19 Nova Cotia/Twitter
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Dois anos depois do maior tiroteio da história moderna do Canadá, familiares e advogados das famílias das vítimas acusam a Royal Canadian Mounted Police de não ter emitido avisos à população, quando Gabriel Wortman começou a matar os civis. Recorde-se que o homem, durante 13 horas, matou 22 pessoas em Nova Scotia.

Passaram-se dois anos desde que Gabriel Wortman, um especialista em próteses dentárias, se tornou no maior assassino da história do Canadá. Mais de meio-dia de perseguição que acabou com Gabriel Wortman abatido a tiro pelas autoridades, em Nova Scotia. No entanto, um rasto de sangue foi deixado em várias povoações do leste do Canadá, onde 22 pessoas morreram às mãos de Wortman.

Charlene Bagley continua convencida de que o pai, vítima do atirador, estaria vivo hoje se a Royal Canadian Mounted Police (RCMP) de Nova Scotia tivesse emitido um alerta em toda a província no início da fúria do assassino.

“Ele geralmente verificava as notícias no Facebook”, disse Bagley numa entrevista recente, lembrando a manhã de 19 de abril de 2020, quando o pai, Tom, foi assassinado.

“Essa era a sua rotina matinal. Mas naquele momento, eles não estavam a mostrar o rosto do agressor nem nada.”

A comunicação da RCMP com o público durante as 13 horas do massacre foi alvo da comissão de inquérito que investigou o pior tiroteio em massa da história moderna do Canadá.

Depois de quase oito semanas de audiências públicas, permanecem por responder questões-chave sobre como e quando os ‘mounties’ partilharam informações, inclusive na primeira noite em que o assassino matou 13 pessoas na zona rural de Portapique a cerca de 50 quilómetros da casa de Bagley.

Nessa altura, o homem saiu para a habitual caminhada matinal na Hunter Road, em West Wentworth. Os investigadores acreditam que o ex-bombeiro foi morto a tiros pelo criminoso quando se aproximava da casa dos vizinhos que estava em chamas.

A filha de Tom Bagley disse que o pai teria ficado em casa se um aviso em toda a província o alertasse sobre um atirador na área.

Foi só às 10h17 que a RCMP enviou um ‘tweet’ a mostrar uma foto do carro do assassino, dizendo que o agressor poderia estar vestido com um uniforme da polícia real. O aviso chegou quase 12 horas depois de os ‘mounties’ terem sido informados sobre o veículo e mais de duas horas depois de receberem a fotografia do assassino.

Os ‘mounties’ enfrentaram também duras críticas por usarem o Twitter para emitir avisos, uma vez que a plataforma não é muito popular em ambientes rurais.

“Os cidadãos de Nova Scotia têm o direito de saber se e quando estão em perigo”, disse recentemente Jane Lenehan. A advogada que representa a família de Gina Goulet, a última pessoa assassinada por Wortman, disse que mais mortes poderiam ter sido evitadas se a população soubesse da ameaça que o agressor representava.

“É por isso que a RCMP deveria ter distribuído alertas em toda a província através do sistema ‘Alert Ready’, que envia mensagens urgentes diretamente para as televisões, rádios e dispositivos sem fio.”