
Lisboa, 28 mai 2026 (Lusa) — Os trabalhadores da Estoril Sol decidiram hoje em plenário “avançar com formas de luta mais duras” se até 22 de junho a administração da empresa não avançar com propostas concretas de aumentos salariais, disse à agência Lusa fonte sindical.
“Se até 22 de junho este processo não estiver já clarificado – com a existência de reuniões e uma posição da empresa face aos aumentos salariais e de outras cláusulas pecuniárias – os trabalhadores mandataram as organizações representativas para avançarem com formas de luta mais duras, mais incisivas”, afirmou Luís Baptista, do Sindicato de Hotelaria Sul.
A Lusa tentou obter um comentário da administração da Estoril Sol, que não respondeu até ao momento.
Perto de uma centena de trabalhadores da Estoril Sol (III) — Turismo, Animação e Jogo, que detém a concessão do Casino Estoril e do Casino de Lisboa, estiveram, segundo o sindicato, reunidos hoje em plenário entre as 11:15 e as 14:00 para exigir aumentos salariais imediatos e uma reunião urgente com a Comissão Executiva da empresa, que acusam de falta de diálogo e incompetência.
Segundo Luís Baptista, se o posicionamento da administração se mantiver, as novas formas de luta “podem passar pela organização de plenários em horas mais críticas de funcionamento [dos casinos], tendo em conta o número de jogadores e de clientes” e, “numa fase seguinte, não está excluída a marcação de uma greve na Estoril Sol, em julho”.
Em causa está o “profundo descontentamento” face à postura da Comissão Executiva da empresa, que dizem ser “marcada pela ausência de diálogo, pelo adiamento sucessivo de reuniões com as Organizações Representativas dos Trabalhadores (ORT) e pela falta de resposta às legítimas reivindicações dos trabalhadores, nomeadamente no que respeita ao aumento dos salários e das cláusulas de expressão pecuniária”.
As ORT denunciam ainda a “ausência total” da Comissão Executiva “na gestão diária da empresa”, assim como a inexistência de qualquer estratégia para o presente e para o futuro da Estoril Sol (III)” e a “incapacidade de assegurar o cumprimento das mais elementares obrigações legais”.
A prová-lo, apontam o incumprimento do prazo legal para a divulgação dos resultados anuais referentes ao exercício de 2025 e a não apresentação do orçamento para 2026.
“A incapacidade demonstrada pela administração para cumprir as suas obrigações legais ou as opções de gestão que decide seguir a cada momento não podem servir de desculpa para continuar a recusar a valorização dos rendimentos mensais dos trabalhadores”, sustenta o sindicato.
Os trabalhadores da Estoril Sol exigem um aumento salarial nominal de 56,38 euros para todos os trabalhadores, a subida do subsídio de alimentação em um euro por dia e a atualização de 5% dos subsídios de turno, prémio de línguas e abono para falhas.
Adicionalmente, reclamam a atribuição de 25 dias de férias a todos os trabalhadores, não dependentes da assiduidade, e a abertura imediata de um “verdadeiro processo negocial” dos instrumentos de regulamentação coletiva de trabalho em vigor na empresa.
Na sequência do plenário/concentração de hoje, foi entregue à Estoril Sol um abaixo-assinado “subscrito por centenas de trabalhadores com a exigência de aumentos salariais e respeito pelas ORT”.
Segundo Luís Baptista, “mais uma vez não estava ninguém com responsabilidades” para receber os representantes dos trabalhadores no Casino de Lisboa, frente ao qual decorreu a concentração, tendo o documento sido entregue a “um elemento do departamento de recursos humanos da empresa”.
“Para a semana faremos também a entrega do abaixo-assinado no Casino Estoril, na esperança de que aí possa haver alguém com responsabilidades para o receber”, acrescentou.
Adicionalmente, o sindicato diz ter sido decidido pedir uma nova reunião presencial à Comissão Executiva da Estoril Sol, “para entregar os originais do baixo assinado e, finalmente, iniciar um processo de negociação reivindicativa para este ano”.
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