
Pequim, 21 mai 2026 (Lusa)- A Tesla anunciou hoje que o sistema avançado de condução automática da empresa norte-americana já está disponível na China, um dos seus principais mercados e palco de intensa concorrência entre fabricantes locais e estrangeiros de veículos elétricos.
Na conta oficial da rede X, a Tesla afirmou que o serviço está acessível numa lista de países e territórios que inclui, além da China, Estados Unidos, Canadá, México, Porto Rico, Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Países Baixos e Lituânia.
O anúncio representa um novo passo nos planos da Tesla para introduzir no mercado chinês a sua tecnologia Full Self-Driving (FSD) de “condução totalmente autónoma”, embora, por enquanto, seja apresentada como uma função supervisionada que requer a atenção do condutor.
O presidente-executivo da Tesla, Elon Musk, manteve nos últimos anos contactos com as autoridades chinesas para avançar na autorização destas funções, um tema sensível devido às exigências locais em matéria de segurança de dados, mapas e privacidade.
Em abril de 2024, durante uma visita surpresa a Pequim, Musk reuniu-se com altos responsáveis chineses, incluindo o primeiro-ministro, Li Qiang, tendo a Tesla alcançado um acordo com a gigante digital Baidu para obter licenças de navegação e mapas, considerado então um passo crucial para o lançamento das funções avançadas de assistência à condução na China.
O anúncio surge também uma semana depois de Musk ter estado em Pequim como parte da delegação empresarial que acompanhou o Presidente norte-americano, Donald Trump, na visita de Estado à China e na reunião principal com o Presidente chinês, Xi Jinping.
A Tesla procura reforçar a posição na China, após as vendas de veículos fabricados no país asiático terem aumentado em abril 35,96% em termos homólogos, segundo dados da Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros.
A empresa enfrenta um mercado cada vez mais competitivo, com fabricantes locais como BYD, Xpeng, Nio e Xiaomi, depois de a BYD ter ultrapassado a Tesla como maior produtora mundial de elétricos e de o setor chinês ter sido arrastado para uma guerra de preços.
O lançamento ocorre também num momento de maior escrutínio regulatório sobre a condução autónoma na China.
No final de março, mais de uma centena de robotáxis do serviço Apollo Go, da Baidu, ficaram subitamente imobilizados nas ruas de Wuhan, cidade no centro do país, devido a um “erro de sistema”, deixando passageiros temporariamente retidos e perturbando o trânsito, embora sem acidentes ou feridos.
Segundo a Bloomberg, após esse incidente, as autoridades chinesas suspenderam a concessão de novas licenças para veículos autónomos, medida que impede as empresas do setor de acrescentar novos robotáxis às suas frotas.
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