TERMINAL DE CRUZEIROS NA ILHA CABO-VERDIANA DE SÃO VICENTE AVANÇA ESTE ANO – GOVERNO

LusaPraia, 05 mar 2020 (Lusa) – O Governo cabo-verdiano admite estar em condições de arrancar ainda este ano com a construção do terminal de cruzeiros na ilha de São Vicente, empreitada em concurso público e que vai custar 26 milhões de euros.

A garantia foi assumida hoje, na Assembleia Nacional, pelo ministro da Economia Marítima, Paulo Veiga, ao ser questionado pela oposição durante a primeira sessão parlamentar de março.

“Podem sempre surgir reclamações, que atrasam, mas contamos que a obra do terminal de cruzeiros inicie este ano”, disse Paulo Veiga.

O terminal de cruzeiros a instalar em São Vicente prevê a construção de dois pontões para atracação de navios com mais de 400 metros de extensão e de uma vila turística, conforme o concurso público internacional.

“Já estamos na fase final de escolher a empreiteira”, sublinhou o governante, explicando que a obra conta com financiamento do Governo dos Países Baixos, o qual tem também de dar o “aval” a todas decisões no processo.

O concurso, em duas fases, para a pré-seleção de empreiteiros para as obras de construção do Terminal de Cruzeiros do Mindelo, foi lançado em 27 de janeiro.

O Governo cabo-verdiano estima que as obras vão custar mais de 26 milhões de euros e que o terminal permita receber anualmente 200.000 turistas de cruzeiro.

O edital do concurso prevê que a empreitada deverá arrancar em agosto, para estar concluída em 22 meses, o que está dependente do processo de adjudicação dos trabalhos.

A primeira fase do concurso, que termina em 11 de março, vai selecionar até oito candidatos e a segunda fase será lançada em 18 de março. A adjudicação está prevista para finais de julho.

Trata-se da maior obra pública dos últimos anos em Cabo Verde, cofinanciada pela Fundo Orio, dos Países Baixos, e pelo Fundo OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para o Desenvolvimento Internacional.

“O Terminal de Cruzeiros do Mindelo terá um impacto enorme na economia de São Vicente e Santo Antão, assim como um efeito indutor na economia de Cabo Verde”, lê-se no edital do concurso.

Os trabalhos vão envolver a reivindicação de uma área de terra, denominada “Ponte Terrestre”, com 2.700 metros quadrados (m2), e a dragagem de aproximadamente 124.000 metros cúbicos na bacia portuária e no canal de acesso.

Entre outras características, o projeto prevê ainda a construção de um pontão de atracação de 400 metros de extensão com 11 metros de profundidade e outro de 450 metros com 9,5 metros de profundidade, além de um cais com uma largura de 12 metros, uma gare de passageiros, uma vila turística e uma zona imobiliária.

Prevê também a construção de um edifício de receção aos turistas com cerca de 900 m2, designado por “Visitor Welcome Center”, e instalações com 6.150 m2 para estacionamento de táxis e autocarros de apoio.

Cerca de 48.500 turistas em viagens de cruzeiro visitaram Cabo Verde em 2019, um aumento de 3% face ao ano anterior e um novo recorde, segundo dados provisórios da empresa pública Enapor, que gere os portos do país.

A Lusa noticiou no final de outubro que o futuro terminal de cruzeiros da ilha cabo-verdiana de São Vicente avança em 2020, num investimento público superior a 2.900 milhões de escudos (26,2 milhões de euros).

A informação consta da lei do Orçamento do Estado para 2020, sendo uma das mais emblemáticas obras públicas projetadas pelo Governo, já com uma dotação orçamental para o arranque da empreitada de 972 milhões de escudos (8,8 milhões de euros).

Em 2021, o Governo prevê uma dotação de 1.152 milhões de escudos (10,4 milhões de euros) para os trabalhos na infraestrutura, acrescidos de 779 milhões de escudos (sete milhões de euros) em 2022, ano em que o terminal de cruzeiros de São Vicente deverá ficar concluído.

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