
Teerão, 16 jul 2026 (Lusa) — Os ataques entre Estados Unidos e Irão prosseguem, mais de uma semana depois do reinÃcio das hostilidades em torno do estratégico estreito de Ormuz, apesar dos apelos lançados hoje pelo Paquistão para o regresso ao diálogo.
Nas últimas 24 horas, os Estados Unidos lançaram novas vagas de bombardeamentos contra o Irão, incluindo um ataque ao inÃcio desta noite (hora local) contra a ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz, de acordo com os meios de comunicação social estatais iranianos.
O Irão respondeu com ataques contra paÃses da região aliados de Washington, repetindo um cenário que se verifica há vários dias.
À semelhança do que aconteceu no perÃodo mais intenso do conflito, as ameaças continuam de ambos os lados. Embora as infraestruturas petrolÃferas e de gás do Golfo permaneçam, para já, poupadas, Teerão advertiu que destruirá infraestruturas no Médio Oriente caso as suas sejam atacadas.
Na terça-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou ordenar ataques contra pontes e centrais elétricas iranianas se Teerão não regressar à mesa das negociações.
Os confrontos foram retomados a 07 deste mês, após ataques contra navios no Golfo atribuÃdos ao Irão. Desde então, os bombardeamentos atingiram uma intensidade sem precedentes desde o cessar-fogo de abril, comprometendo os esforços diplomáticos para alcançar uma solução duradoura.
O conflito, desencadeado em 28 de fevereiro por bombardeamentos israelitas e norte-americanos, provocou milhares de mortos, sobretudo no Irão e no LÃbano, e continua a afetar a economia mundial.
O Paquistão, que tem desempenhado um papel de mediador, pediu à s duas partes para que “ponham fim à violência e retomem as negociações”, no âmbito do memorando de entendimento assinado em meados de junho, entretanto considerado sem efeito.
Islamabad apelou igualmente para o “regresso à normalidade no estreito de Ormuz”, novamente encerrado pelo Irão no fim de semana passado. Em resposta, os Estados Unidos restabeleceram na terça-feira à noite o bloqueio aos portos iranianos.
Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) transportados por via marÃtima a nÃvel mundial passava pelo estreito de Ormuz. Atualmente, o tráfego diminuiu significativamente, tendo sido contabilizados apenas 13 navios comerciais na terça-feira, indicou a empresa de monitorização marÃtima Kpler.
As forças armadas norte-americanas afirmaram ter atingido alvos militares “utilizados para ameaçar os navios que transitam livremente pelo estreito de Ormuz”.
Contudo, o Irão acusou Washington de ter também atacado infraestruturas civis, incluindo o aeroporto de Semnan, situado a cerca de 250 quilómetros de Teerão.
Um hospital em Ahvaz foi igualmente evacuado, na sequência de bombardeamentos norte-americanos nas imediações, disseram as autoridades iranianas, que classificaram a ação como um “ataque bárbaro”.
Os meios de comunicação social estatais iranianos deram ainda conta de explosões em várias cidades costeiras, entre as quais Bandar Abbas e Chabahar, bem como na ilha de Qeshm.
Em Teerão, até agora poupada aos bombardeamentos, a vida quotidiana prossegue sem sinais visÃveis de alarme entre a população, apesar da ativação, durante a noite, dos sistemas de defesa antiaérea na periferia da capital.
Desde o reinÃcio das hostilidades morreram mais de 30 civis, de acordo com o mais recente balanço de Teerão, que confirmou também a morte de sete militares. O Irão respondeu ainda com ataques de drones contra Bahrein, Kuwait e Jordânia.
O conflito alastrou ao Iraque, onde o primeiro-ministro condenou um “ataque com drones”, atribuÃdo a grupos apoiados pela República Islâmica, nas proximidades do consulado dos Estados Unidos em Erbil, na região autónoma do Curdistão, o primeiro incidente deste tipo desde o cessar-fogo de abril.
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