
Taipé, 09 mai 2026 (Lusa) – O Ministério da Defesa Nacional (MDN) de Taiwan alertou que o orçamento especial da Defesa aprovado pelo Parlamento na sexta-feira poderá criar “lacunas” nas capacidades de combate da ilha.
O Parlamento, controlado pelos dois principais partidos da oposição, o Kuomintang (KMT) e o Partido Popular de Taiwan (PPT), ratificou uma lei que prevê financiamento adicional para a aquisição de sistemas militares norte-americanos na ordem dos 780 mil milhões de dólares taiwaneses (21,13 mil milhões de euros), mas exclui projetos de compras comerciais e de produção por encomenda.
O montante finalmente aprovado equivale a aproximadamente dois terços da proposta original do Governo, que no final do ano passado apresentou um orçamento especial de Defesa de 1,25 biliões de dólares taiwaneses (33,86 mil milhões de euros).
Num comunicado divulgado na noite de sexta-feira, o MDN afirmou que o projeto aprovado pelos legisladores da oposição “prejudica a integridade do planeamento militar” e “pode facilmente gerar lacunas nas capacidades de combate”.
Mais concretamente, a regulamentação não prevê financiamento para o míssil antibalístico de médio alcance “Chiang Kung”, descrito como a “espinha dorsal” do novo sistema integrado de defesa aérea da ilha (T-Dome), e exclui também o drone tático de vigilância marítima “Rui Yuan II” e outros sistemas de veículos não tripulados, entre outros programas.
A eliminação dos drones do orçamento “atrasará consideravelmente o calendário de desenvolvimento das capacidades assimétricas das forças armadas e afetará o crescimento da indústria nacional de drones, provocando perdas no crescimento económico esperado e em oportunidades de emprego”, lamentou o MDN.
Por seu lado, o Presidente de Taiwan, William Lai, afirmou que o novo orçamento permitirá avançar na aquisição de “múltiplos equipamentos-chave” provenientes dos Estados Unidos, entre os quais o sistema de lançadores múltiplos de foguetes HIMARS, embora tenha alertado que tal ainda não constitui uma “resposta completa”.
“Qualquer lacuna afetará a integridade do sistema defensivo no seu conjunto; qualquer atraso aumentará os riscos de segurança que toda a cidadania terá de assumir coletivamente. No objetivo de reforçar a autodefesa e proteger o país e os seus cidadãos, não deveriam existir diferenças entre o governo e a oposição”, afirmou o mandatário através do Facebook.
O debate sobre o orçamento especial da Defesa tem dominado o debate público na ilha nos últimos meses, num contexto marcado pelo aumento da pressão militar da China sobre Taiwan, território cuja soberania Pequim reivindica e para cuja “reunificação” não descarta o uso da força.
A aprovação deste orçamento ocorreu a menos de uma semana da reunião prevista em Pequim entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o homólogo chinês, Xi Jinping, na qual se espera que ambos abordem a questão de Taiwan e uma possível redução do fornecimento de armas norte-americanas à ilha.
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