
Shah Alam, Malásia, 01 abr (Lusa) – A mulher suspeita de matar o meio-irmão do lÃder norte-coreano Kim Jong-un declarou-se hoje culpada de uma nova acusação, que substitui a de homicÃdio, e pode ser libertada nas próximas horas, disse o seu advogado.
“É muito provável que seja libertada hoje”, disse aos jornalistas o advogado da vietnamita Doan Thi Huong, Salim Bashir, à frente do tribunal de Shah Alam, na Malásia, que pediu clemência ao tribunal.
Os procuradores pretendem agora acusar Huong de “causar dano voluntário com uma arma perigosa”, cuja moldura penal corresponde a uma sentença máxima de 10 anos de prisão, substituindo a acusação de homicÃdio que enfrentava, punÃvel com pena de morte, segundo documentos fornecidos aos jornalistas.
O tribunal malaio tinha rejeitado a 14 de março a sua libertação, poucos dias depois de ter deixado cair as acusações sobre a outra ré.
O processo da mulher vietnamita, Doan Thi Huong, de 30 anos, está em curso no tribunal há um ano e meio, na sequência do assassÃnio de Kim Jong-nam, em 13 de fevereiro de 2017, com VX, um agente neurotóxico e uma versão altamente letal do gás sarÃn.
Também este mês, Siti Aisyah, detida com Doan Thi Huong pelas autoridades, foi libertada após os procuradores terem retirado inesperadamente a acusação de homicÃdio.
O juiz do Supremo Tribunal dispensou Aisyah sem absolvição, depois de os procuradores terem dito, sem avançar uma razão, que queriam retirar a acusação de homicÃdio contra a mulher indonésia.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros indonésio afirmou que a libertação de Aisyah se deveu ao contÃnuo esforço diplomático realizado ao mais alto nÃvel e insistiu na ideia de que a indonésia foi “enganada e não teve consciência de que estava a ser manipulada pelos serviços secretos norte-coreanos”.
O episódio fatal teve lugar num terminal de aeroporto em Kuala Lumpur. As duas mulheres alegaram que estavam convencidas de que se encontravam a participar numa brincadeira para um programa de TV.
As acusadas disseram à s autoridades que toda a situação tinha sido orquestrada por um grupo de quatro homens, identificados como cidadãos norte-coreanos pela polÃcia malaia, que lhes pagou 80 dólares a cada uma.
De acordo com a polÃcia, os quatro embarcaram, na sequência do ataque, num avião com destino a Pyongyang.
Desde o primeiro momento que os serviços secretos da Coreia do Sul e dos Estados Unidos atribuÃram o crime a agentes norte-coreanos, mas Pyongyang argumentou que a morte foi provocada por um ataque cardÃaco e acusou as autoridades da Malásia de conspirarem com os seus inimigos.
As autoridades da Malásia nunca acusaram oficialmente a Coreia do Norte e deixaram claro que não querem que o julgamento seja politizado.
Kim Jong-nam, que viajava com um passaporte com o nome de Kim Chol, ia embarcar para Macau, onde vivia exilado. Era o filho mais velho da atual geração da famÃlia governante da Coreia do Norte, vivia no exterior há anos, mas, segundo vários analistas, poderá ter sido visto como uma ameaça ao lÃder norte-coreano, Kim Jong-un.
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