Supremo do Brasil autoriza assessor de Trump a visitar Bolsonaro na prisão

Brasília, 11 mar 2026 (Lusa) – O Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil autorizou um assessor do Presidente dos Estados Unidos a visitar o antigo líder brasileiro Jair Bolsonaro na prisão em 18 de março.

O tribunal anunciou na terça-feira que o juiz Alexandre de Moraes, que condenou Bolsonaro a uma pena de 27 anos de prisão pelo envolvimento numa tentativa de golpe de Estado, deu-lhe permissão para receber o ativista conservador Darren Beattie.

Beattie, atualmente assessor sénior para a política dos EUA em relação ao Brasil no Departamento de Estado norte-americano, poderá fazer-se acompanhar por um intérprete, cuja identidade deverá ser previamente divulgada, de acordo com a decisão, obtida pela agência de notícias EFE.

A autorização vai parcialmente ao encontro do pedido dos advogados do ex-presidente (2019-2022), que tinham solicitado, excecionalmente, que a visita ao complexo penitenciário de Brasília, onde está detido, se realizasse em 16 ou 17 de março.

A defesa de Bolsonaro tinha pedido que a visita fosse realizada na segunda-feira (16), ou na terça-feira (17), datas em que Darren Beattie estará em visita oficial ao Brasil.

No entanto, Moraes argumentou que “não existe qualquer disposição legal ou circunstância excecional que justifique uma alteração específica no dia da visita” e, nesse sentido, acredita que “os visitantes devem adaptar-se ao regime legal da prisão e não o contrário”.

Durante a visita ao Brasil, o conselheiro de Trump deverá reunir-se com o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-líder e principal candidato de direita nas presidenciais de outubro, segundo a imprensa local.

Beattie já tinha acusado Moraes de ser “o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição contra Bolsonaro e os seus seguidores” e defendeu a imposição de sanções ao juiz.

Jair Bolsonaro começou em 25 de novembro a cumprir uma pena de prisão efetiva de 27 anos e três meses, em consequência da condenação em 11 de setembro de 2025 pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e ameaça grave e vandalismo (deterioração de património tombado). 

O ex-presidente nunca reconheceu a derrota eleitoral nas presidenciais de outubro de 2022, lançou suspeitas infundadas sobre o uso das urnas eletrónicas, incentivou manifestações de caráter antidemocrático junto a bases militares e, segundo a Justiça, projetou planos para permanecer no poder e até matar adversários políticos e judiciários, entre os quais o próprio Lula da Silva e o juiz Alexandre de Moares. 

Os acontecimentos culminaram nos ataques em Brasília, em 08 de janeiro de 2023. 

Milhares de apoiantes do ex-presidente invadiram e vandalizaram as sedes do Supremo Tribunal Federal, do Congresso e do Palácio do Planalto, em Brasília, numa tentativa de golpe de Estado para depor Lula da Silva da Presidência. 

 

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