Super XV ambiciona campeonato profissional de râguebi mas objetivo é “utópico”

Lisboa, 11 ago 2026 (Lusa) — A Associação Super XV tem “ambição” de organizar um campeonato profissional de râguebi em Portugal, mas o objetivo é “utópico” a curto prazo, reconheceu hoje o representante dos clubes, após assinar o protocolo com a federação nacional.

“Poderá estar no nosso horizonte, mas temos de caminhar juntos e ver a evolução dos clubes nos próximos cinco anos. Ou seja, há uma ambição, mas seria utópico começar com uma liga [profissional] fechada. Isso estaria condenado ao insucesso neste momento”, referiu Luís Lança de Morais, na sede da Federação Portuguesa de Rugby (FPR).

A FPR e a Associação Super XV — Rugby Portugal assinaram hoje, em Lisboa, o protocolo através do qual o organismo que tutela a modalidade no país delega aos clubes a organização do principal escalão do campeonato português.

O acordo tem a duração de cinco anos, no final dos quais a Super XV quer “deixar a modalidade melhor” e isso passa, inevitavelmente, por fazer “entrar dinheiro”.

“Temos de ter argumentos para tornar a modalidade mais atrativa, para cativar patrocínios, ter maior visibilidade, trazer mais público aos estádios e tornar isto sustentável económica e financeiramente. No fundo, criar receita para os clubes”, resumiu o presidente da associação.

A atual Divisão de Honra passará a ser denominada “Super XV” e o modelo competitivo volta a sofrer alterações, com o campeão nacional a ser, novamente, apurado através de uma final, após dois anos em que o campeonato não incluiu fases a eliminar.

Até chegar à final, os 12 clubes participantes defrontam-se entre si numa volta única, que apura os oito primeiros para a fase final, em dois grupos de quatro, novamente a uma só volta, para definir o emparelhamento das meias-finais.

O modelo competitivo, de resto, resulta do “diálogo que há sempre, todos os anos”, entre a FPR e os clubes, destacou o presidente do organismo, Carlos Amado da Silva, que acredita que o formato pode trazer vantagens competitivas.

“Temos consciência de que há uma diferença muito grande entre os 12 clubes e todos queremos um campeonato mais competitivo. Este modelo vai permitir, englobando toda a gente, os menos bons e os melhores, resultar numa fase final mais competitiva”, destacou o dirigente.

O modelo, decidido em concordância entre a associação de clubes e a FPR, até pode vir a ser alterado nos próximos anos “se todos os clubes estiverem de acordo”.

“O objetivo é conseguir que se juntem todos, que melhorem e, depois, o futuro dirá qual é o melhor modelo competitivo”, relativizou Amado da Silva.

Outra ambição da associação “sem fins lucrativos” passa, também, por introduzir “prémios monetários” que premeiem a “meritocracia” da classificação “se e quando houver excedente” de receitas.

Até porque, acrescentou Lança de Morais, “há jogadores profissionais a chegar a Portugal para aumentar a competitividade” do campeonato nos momentos em que os principais clubes têm “seis ou sete internacionais fora”, ao serviço da seleção portuguesa ou dos Lusitanos XV, equipa de franquia da responsabilidade da FPR.

Nesse sentido, o sorteio do calendário do Super XV será, também, “condicionado”, o que permitirá que os clubes “mais fracos” tenham uma “oportunidade” na fase regular.

“Porque nós, os mais fortes, vamos ter seis, sete jogadores ao serviço da seleção. Por isso, esta fase regular vai ser, também ela, bastante competitiva, dando uma oportunidade a clubes que ainda não estão no mesmo estágio de desenvolvimento dos outros”, analisou Luís Lança de Morais, que também é presidente do Direito.

A Associação Super XV – Rugby Portugal vai organizar e dar nome ao campeonato português de râguebi a partir desta época, após a assinatura de um protocolo que delega à associação de clubes a organização do principal escalão competitivo português.

O campeonato português de râguebi disputa-se desde 1959 sob a alçada da FPR.

O Benfica é o atual campeão nacional, após vencer a Divisão de Honra 2025/26, colocando um ponto final num ‘jejum’ de 25 anos sem festejar a conquista do principal título da modalidade em Portugal.

Além do Benfica (10 títulos), todos os anteriores campeões nacionais integram o futuro Super XV: CDUL (20), Direito (12), Belenenses (10), Cascais (seis), Académica (quatro), Técnico (três) e Agronomia (dois).

 

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