Sting serviu 100 minutos de puro rock na Figueira da Foz

Figueira da Foz, Coimbra, 18 jan 2026 (Lusa) — Uma hora e quarenta minutos de amor à música e puro rock de baixo, guitarra e bateria, foi o que Sting serviu a cerca de 25.000 pessoas na noite de sexta-feira, na praia da Figueira da Foz.

Só ficou a faltar o famoso por do sol da cidade litoral da região Centro e distrito de Coimbra, escondido, em grande parte, pelas nuvens negras no horizonte no início do espetáculo, em redor das 21:00.

Não se esperava que o alinhamento fugisse muito ao que tem sido usual na atual digressão “Sting 3.0” e, com efeito, assim foi: a abertura ficou a cargo de “Message in a Bottle”, ou, olhando a letra do tema dos The Police, de 1979, se era amor que o cantor e compositor britânico buscava, o público retribuiu, logo ali.

Ainda a meio do primeiro tema, Sting lançou um “Figueira da Foz” e recebeu palmas — mesmo se, notoriamente, os figueirenses não estavam (longe disso) em maioria no areal da Praia do Relógio.

Aliás, embora não tenha estado muito conversador, quando se dirigiu à assistência, Sting fê-lo sempre em português. Ao terceiro tema (“If I Ever Lose My Faith in You”, de 1993) – já depois de tocar o seu mais recente ‘single’ “I Wrote Your Name (Upon My Heart)”, de 2025 – apresentou os músicos que o acompanham na digressão: o guitarrista argentino Dominic Miller, seu colaborador de longa data, e o baterista luxemburguês Chris Maas, que tiveram direito a um longo aplauso.

“Englishman In New York” foi uma das canções da noite, com a assistência a cantar o refrão logo aos primeiros acordes, e Sting numa das laterais do palco, com uma imagem em contraluz do que poderia ser a linha do horizonte de Manhattan por detrás.

“Estou muito feliz por estar aqui”, garantiu Sting, no final de “Every Little Thing She Does Is Magic”, altura em que o concerto entrou numa toada mais calma, contrastando com a insistente brisa da Figueira da Foz, pontuado, primeiro, por “Fields of Gold” e por temas menos conhecidos de quase 50 anos de carreira a solo ou com os The Police.

Em “Never Coming Home”, “Mad About You”, “Driven To Tears” ou “A Thousand Years” sobressaíram, a espaços, novos arranjos e um diálogo entre o baixo de Sting e a guitarra de Dominic Miller, perante uma assistência que mais parecia hipnotizada com a virtuosidade que lhe era servida em doses generosas, potenciada por um som de qualidade acima da média.

O concerto levava uma hora de duração quando soou “Can’t Stand Losing You”, outro dos ‘hits’ do tempo dos The Police: Sting voltou a “puxar” pela Figueira da Foz com um crescendo de baixo, bateria e guitarra, o público respondeu e o tema estendeu-se numa versão que chegou a tocar em sonoridades de jazz.

A noite caminhava para o fim, e em crescendo, primeiro com “Shape Of My Heart”, depois com “Brand New Day”, um dos temas ‘desalinhados’ da lista que tem vindo a ser seguida nesta digressão, apresentado num registo entre o elétrico e o ‘country’, com o músico britânico a pedir palmas a compasso e o público a fazer-lhe a vontade.

O mesmo público que, depois, pulou com vigor em “So Lonely”, teve direito a uma versão rock de “Desert Rose”, e, logo de seguida, cantou do início ao fim aquele que é um dos maiores, senão o maior, ‘hit’ de Sting e dos The Police, “Every Breath You Take”, dada como a canção mais tocada na história da rádio e que foi número um nos tops dos EUA e Reino Unido em 1983.

Aos 90 minutos de concerto, assistiu-se a um ‘encore’ ensaiado, que só durou um minuto: os três músicos saíram e logo voltaram a entrar em palco, para as duas canções finais, uma versão ‘colaborativa’ com a assistência de “Roxanne” e, claro, “Fragile”, o tema anti-guerra que habitualmente fecha os concertos de Sting.

O músico agradeceu com um “muito obrigado”, sentou-se à guitarra e quando soaram os acordes iniciais de “Fragile”, ainda houve quem imaginasse que Sting iria tocar a versão portuguesa da mesma música, intitulada “Frágil” e gravada um ano depois da original, em 1988.

Assim não sucedeu, mas, perante o ecoar da voz e guitarra de Sting, a Praia do Relógio ficou em silêncio, só se ouvindo, em sussurro, algumas vozes a acompanhar o refrão. Logo depois, o músico britânico estendeu outro “muito obrigado”, enquanto se despediu do público.

Já sem sol no horizonte, mas com uma lua crescente no céu, sobre o mar, acompanhada do planeta Vénus — nem de propósito, a deusa romana do amor – terminou assim a primeira noite da edição de estreia do Portugal Summer Sessions, que fecha hoje com o concerto de Lewis Capaldi, também na praia da Figueira da Foz.

*** Por José Luís Sousa (texto) e Paulo Novais (fotos), da agência Lusa ***

 

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