
Londres, 10 mar 2026 (Lusa) – A Sony foi processada em Londres no valor dois mil milhões de libras (2,31 mil milhões de euros) por ter alegadamente abusado da sua posição dominante durante dez anos para cobrar preços excessivos aos jogadores britânicos da Playstation.
“Depois de comprar uma Playstation, o consumidor não tem outra escolha a não ser comprar jogos digitais à Sony, e a Sony abusou dessa posição, cobrando preços excessivos aos consumidores”, resumiu à AFP a especialista em direitos do consumidor Alex Neill, que iniciou a ação.
“A Sony implementou uma estratégia destinada a excluir toda a concorrência real e potencial dos mercados de distribuição digital”, afirmou um dos advogados dos queixosos, Robert Palmer, na abertura do julgamento.
Os queixosos salientaram hoje que o jogo Assassin’s Creed Shadows para PS5 está à venda por quase 70 libras, o dobro do preço do jogo físico na loja britânica de tecnologia Curry’s.
“Isso não faz sentido quando comparado ao mercado de livros, onde o livro físico ainda é mais caro do que o livro digital”, afirma Neill.
Os queixosos denunciam, em particular, uma comissão de 30% sobre as compras, que também incide sobre o conteúdo adicional nos jogos, e afirmam ter constatado comissões mais baixas em outras plataformas ‘online’, especialmente para PC.
A queixa é apresentada em nome de cerca de 12,2 milhões de pessoas — este tipo de processo inclui por defeito todos os clientes potencialmente afetados, a menos que estes se retirem voluntariamente.
Mas para a Sony, se for considerado o sistema como um todo, ou seja, o preço da consola e dos jogos, “fica claro que a rentabilidade do sistema PlayStation está longe de ser excessiva”, de acordo com o seu argumento jurídico transmitido à AFP.
“Os seus conteúdos digitais são oferecidos a níveis semelhantes aos praticados noutras plataformas e (…) a preços comparáveis aos dos discos, se não fosse esse o caso, os consumidores e os editores simplesmente iriam procurar noutro lado”, acrescenta a empresa.
Os queixosos salientam que “outros processos estão em curso” contra a Sony em todo o mundo. Natasha Pearman, uma das suas advogadas, cita Portugal, os Países Baixos e a Austrália.
“Trata-se, portanto, em essência, de uma estratégia global adotada” pela gigante tecnológica, diz à AFP.
Num caso semelhante em Londres, a gigante americana Apple perdeu em outubro um processo judicial devido às comissões consideradas demasiado elevadas na sua loja de aplicações, o que poderá levá-la a ter de reembolsar milhões de utilizadores – o grupo afirmou que tenciona recorrer da decisão.
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