
Quase nenhum canadiano considera a operação militar de evacuação de civis canadianos e afegãos do conflito com os talibãs bem-sucedida. Ainda assim, muitos cidadãos estão mais hesitantes em classificar a missão de fracasso. São os dados de um recente estudo da casa de pesquisas Angus Reid Institute.
A campanha eleitoral que muitos pensavam que seria ganha ou perdida com base no futuro pós-pandémico do Canadá está a ser ofuscada logo nas primeiras semanas pelo futuro do conflito no Afeganistão e pela retirada dos que se encontram desesperados para deixar o país do Médio Oriente.
As imagens do Aeroporto Internacional Hamid Karzai, em Cabul, e de outras partes do Afeganistão, têm sido preocupantes, fazendo questionar sobre se o Governo de Justin Trudeau fez o suficiente.
Novos dados do Instituto Angus Reid, uma organização sem fins lucrativos, mostram que, embora o número de canadianos que consideram “bem-sucedidos” os esforços do país canadiano para ajudar afegãos a sair do país seja praticamente zero, muitos deles (20%) estão a evitar fazer juízos de valor nesta fase.
Quase metade (41%) diz que as operações correram tão bem quanto se poderia esperar, com a tomada dos talibãs e o ISIS-K a representar uma ameaça constante de violência.
Posto isso, quase dois em cinco inquiridos no estudo (37%), liderados por aqueles que pretendem votar no Partido Conservador (65%), dizem que a execução do plano militar deve ser considerada um fracasso.
Embora o Canadá tenha removido quase 4 mil militares e refugiados afegãos, a expectativa é de que outros milhares também o sejam nos próximos meses e anos. O primeiro-ministro canadiano anunciou que o Governo federal se comprometeria a aceitar 20 mil refugiados afegãos. Um compromisso também feito por todos os outros principais líderes em campanha para as eleições federais.
Quase metade dos canadianos do estudo (44%) concorda com a meta de reassentar o número de refugiados afegãos no Canadá, enquanto um quarto (25%) traria ainda mais afegãos para o país.
A crise no Afeganistão, que ocorre em paralelo com a 44ª eleição federal, cria uma dimensão política óbvia para partidos e liderança. E, embora a maioria do eleitorado (59%) diga que isso não terá impacto nos votos, um em cada cinco inquiridos diz que sim.



